Dinheiro não é coisa só de gente grande

Escolas da rede municipal e privada do Estado estão introduzindo na quadre curricular, a educação financeira para as crianças

No colégio os pais dão dinheiro real e os filhos trocam pelo Ecco Money para utilizar na cantina da instituiçãoNo colégio os pais dão dinheiro real e os filhos trocam pelo Ecco Money para utilizar na cantina da instituição - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Lidar com dinheiro não é mais um assunto exclusivo dos adultos. É que as crianças também devem aprender sobre educação financeira, uma vez que elas serão o futuro e precisam ser disciplinadas. No contexto de hoje, 47% dos jovens da chamada geração Z não realizam o controle das despesas, como aponta pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Para evitar esses índices, é preciso ensinar desde cedo sobre a função que o dinheiro tem em nossas vidas.

Pensando nisto, escolas desenvolvem propostas inovadoras, como a Eccoprime, em Aldeia. No colégio, os pais dão dinheiro real e os filhos trocam pelo Ecco Money para utilizar na cantina da instituição. A diretora da escola, Andresa Oliveira explica que é preciso remodelar o pensamento e ensinar às crianças a terem disciplina com seu próprio dinheiro.

“É preciso aprender que o dinheiro tem peso e que serve para comprar.
 Junto às famílias, fazemos um trabalho com quatro pilares: diagnosticar, sonhar, orçar e poupar”, pontua. O aluno Pedro Murilo, de 8 anos, conta que aprender a poupar é necessário para conseguir realizar os sonhos. Na cantina da escola, Murilo procura escolher a opção mais barata dos lanches disponíveis. "Sempre pergunto o valor para saber se posso pagar", explica.

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Ainda segundo Andresa, os pais precisam incluir os filhos nos assuntos financeiros. A atitude ajuda a entender melhor sobre orçamento, desperta interesse pelo assunto e faz as crianças se sentirem parte do núcleo familiar. “Deixar o filho isolado é ruim. É natural que as famílias tenham dificuldades e os filhos precisam saber”, ressalta. Além disto, aprender como administrar o dinheiro desde cedo pode contribuir para que lá na frente, essas crianças não fiquem inadimplentes.

Estudo da DSOP Educação Financeira mostra que 71% dos filhos que têm aulas de educação financeira ajudam os pais a comprarem de forma consciente. É o que acontece com a diretora do colégio, que sente na pele o resultado da disciplina. “Quando vou comprar alguma coisa e utilizo cartão de crédito, meus filhos acabam me dando um ‘puxão de orelha’ e me aconselham a fazer uma aquisição mais consciente”, conclui Andresa.

O Financista Arthur Lemos, avalia que conversar sobre dinheiro é importante. “Falar sobre orçamento é um assunto complicado. Muita gente acha que educação financeira é deixar de gastar. No entanto, serve para ter mais qualidade de vida, realizar sonhos; consumir mais e melhor”, explicou. “Conversar sobre dinheiro é fundamental para evidenciar que ele é um meio para conquistar sonhos”, completou.
  
Educadora da DSOP, Carolina Buarque, aponta que é preciso construir hábitos de consumo mais sustentáveis. “Já na infância, a partir dos três anos de idade, é possível tratar de educação financeira. Significa não falar somente de números, mas de comportamentos”, explica ainda dizendo que educação financeira é uma ciência humana.

Ainda de acordo com Lemos, educação financeira é indiscutivelmente importante para reverter esse quadro crônico de endividamento. Por conta disto, o Ministério da Educação (MEC) instituiu que a partir de 2020 todas as escolas do Brasil deverão incorporar o tema na sua proposta pedagógica para integrar a base curricular.

Gasto consciente na Rede Pública 
A iniciativa de passar conteúdo em sala de educação financeira, contudo, não é exclusiva da rede privada de ensino. A Escola Municipal Compositor Levino Ferreira, no bairro de Casa Amarela, tem um projeto com crianças de idades de 4 a 6 anos: sonhar, planejar, alcançar. Com isto, os estudantes passam a aprender sobre como fortalecer o viés financeiro.

De acordo com a coordenadora técnica da escola, Severina Mendes, as crianças aprendem a consumir com consciência. “Apagar as luzes, fechar a torneira, são iniciativas que preparam eles para uma mudança”, explica. Severina diz ainda que metas e sonhos ajudam os alunos na construção de adultos conscientes. “Começar pela base é o segredo para gerar um brasileiro que consuma de forma mais equilibrada”, completa.
  
Este ano, a rede municipal de ensino conta com 21 escolas em toda a Região Metropolitana do Recife que têm essa iniciativa. Segundo a educadora financeira Viviane Silva, o projeto de fortalecimento financeiro vem dando resultados positivos. “A criança adquire novos hábitos, como evitar desperdício de lanche, dialogar com a família sobre consumo”, ressalta.

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