Diversidade marca turmas da EJA

Os mais jovens buscam a modalidade com o objetivo de correr em busca do tempo perdido, de olho nas oportunidades do mercado de trabalho ou mesmo no ingresso em um curso técnico ou superior.

Professor Lupércio conversa sobre as suas propostas com os estudantesProfessor Lupércio conversa sobre as suas propostas com os estudantes - Foto: Divulgação

Ao contrário das turmas da educação regular, onde a distorção de dois anos já é uma preocupação, na Educação de Jovens e Adultos (EJA) o grupo de alunos de cada sala é uma verdadeira “salada”, com estudantes de idades e interesses bem diferentes. Os mais jovens buscam a modalidade com o objetivo de correr em busca do tempo perdido, de olho nas oportunidades do mercado de trabalho ou mesmo no ingresso em um curso técnico ou superior. “Com as escolas integradas, o maior acesso à universidade e ao ensino profissionalizante, esses jovens têm uma necessidade cada vez mais urgente de concluir a educação básica. Agora é status fazer um curso técnico, uma faculdade”, opina Hugo Regis, outro professor técnico pedagógico da SEE.

Já os estudantes mais velhos têm necessidades diferentes. Enquanto o mais novo prioriza a formação visando ao trabalho, os que têm mais idade e, muitas vezes, está na fase final da carreira profissional ou tem uma maior dedicação à família, por exemplo, estão na escola para simplesmente aprimorar o conhecimento ou mesmo para se aposentar com um salário mais alto. O caso de Raquel de Melo Vieira, de 59 anos, se enquadra neste perfil. Depois de criar os quatro filhos e de se recuperar de problemas de saúde, ela entrou nas turmas da EJA na escola estadual Stela Maria Santos Pinto de Barros, no bairro do Tim­bó, em Abreu e Lima.

“Tive um AVC (acidente vascular cerebral) e quando me senti melhor, pedi muito a Deus para voltar. Era um sonho meu terminar o ensino médio. Comecei tudo de novo aqui na Estela. Todos os meus filhos já estão de maior, são casados. Sou avó de seis netos. Um deles veio aqui me matricular”, disse dona Raquel, que está no primeiro módulo. Ela revelou que sentiu uma certa dificuldade de adaptação no início das aulas, mas que hoje foi totalmente acolhida pela turma, majoritariamente formada por estudantes mais novos. “No começo eu fiquei um pouco envergonhada, porque era tudo rapazinho e mocinha, mas depois eles se acostumaram comigo, se adaptaram. Hoje eles são minha alegria. Eu chego aqui, um mexe comigo, o outro brinca. Todos me respeitam, eu também tenho respeito por eles”, garante.

Essa diversidade de identidades gera um desafio extra aos professores da EJA, que precisam trabalhar para atender a um público bastante heterogêneo. “Às ve­­zes, em uma única turma, a gente tem aquele aluno que está no mercado de trabalho, outro que está se inserindo e aquele que está saindo. E o professor tem que saber trabalhar com essa diversidade de interesses”, afirma Thiago Reis.

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