Dores da endometriose e cólicas menstruais: fisioterapia e quiropraxia funcionam?
Especialista tira dúvidas sobre tema
As cólicas menstruais são dores localizadas no baixo ventre e podem ser causadas por contrações uterinas ou estarem associadas à endometriose, que é outro grande desafio da saúde feminina e vai além de uma doença ginecológica.
Ela envolve inflamação sistêmica, sensibilização central da dor, alterações do sistema autônomo, entre outras consequências. Os sintomas mais significativos das cólicas menstruais são fadiga, cansaço; náuseas, diarreia, dor de cabeça e o inchaço.
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Já a endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de estroma e glândulas endometriais fora do útero. Esse deslocamento pode resultar numa inflamação crônica com taxa de prevalência estimada entre 5% e 15% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva que, segundo o Ministério da Saúde, vai dos 10 aos 49 anos.
Impactos da endometriose
- Dismenorreia (cólica menstrual intensa);
- Dor pélvica crônica;
- Dispareunia (dor durante a relação sexual com penetração);
- Infertilidade;
- Queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico.
Ferramenta complementar ao tratamento médico
Segundo o fisioterapeuta Paulo Veiga, a quiropraxia somatovisceral pode servir como uma ferramenta complementar ao tratamento médico tradicional, não para curar a endometriose, mas para modular fatores neurofisiológicos envolvidos na perpetuação da dor.
“Através de uma avaliação individualizada, a quiropraxia pode ajudar a melhorar a mobilidade dessas estruturas, reduzir tensões musculares e favorecer um melhor funcionamento do sistema nervoso, contribuindo para a diminuição da dor e para a melhora da qualidade de vida. Na abordagem somatovisceral, também observamos as relações entre os órgãos pélvicos, os tecidos conjuntivos e o sistema nervoso autônomo, buscando reduzir restrições mecânicas que possam contribuir para o desconforto da paciente”, explica o especialista.
Uma revisão sistemática publicada em 2025, numa conceituada revista científica, com meta-análise, confirmou a tese que intervenções fisioterapêuticas, incluindo terapia manual, exercícios terapêuticos e recursos físicos, podem melhorar significativamente a dor e a qualidade de vida dessas pacientes.
“A mulher pode procurar uma avaliação quiroprática espontaneamente, sempre que apresentar cólicas menstruais intensas, dores pélvicas recorrentes, dores lombares associadas ao ciclo menstrual ou desconfortos que afetem sua rotina e qualidade de vida. Não é necessário encaminhamento médico. No entanto, quando há suspeita ou diagnóstico de endometriose, o acompanhamento com ginecologista continua sendo fundamental”, complementa o especialista.
Benefícios
A quiropraxia somatovisceral pode ainda, conforme a visão de Paulo Veiga, contribuir para melhorar a mobilidade tecidual, reduzir tensões miofasciais, modular aferências nociceptivas e favorecer um melhor equilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático, porque o nervo vago e os mecanismos autonômicos participam diretamente da modulação inflamatória e da percepção da dor.
Como identificar um profissional capacitado?
O primeiro passo para identificar é observar se o profissional possui formação em quiropraxia e ou terapia manual. A graduação em quiropraxia deve ser uma das referências de base para quem procura um Quiropraxista. Fisioterapeutas que são especialistas pelo Conselho Federal de Fisioterapia (COFITO) também são capacitados para essa finalidade.
“Nunca faça tratamento com quem não tem estas formações. Além disso, um atendimento seguro deve sempre começar por uma avaliação detalhada da história clínica da paciente, exame físico e análise de exames complementares quando necessário. Outro ponto importante é compreender que cada paciente é único. Um profissional qualificado não realiza o mesmo procedimento para todas as pessoas, mas desenvolve um plano de tratamento individualizado, respeitando as características e necessidades de cada caso”, finaliza.

