Doria elogia Bolsonaro e pede que ele não ceda a gabinete do ódio

Doria elogiou o discurso feito em rede nacional pelo presidente na noite de terça-feira (31), tido como mais cometido

João Dória e Jair Bolsonaro João Dória e Jair Bolsonaro  - Foto: Vanessa Carvalho/Folhapress-Evaristo SA / AFP

Doria elogia discurso de Bolsonaro e pede que presidente não ceda a gabinete do ódio
Após semanas de rusgas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a necessidade de manter o fechamento de comércios para frear o avanço do novo coronavírus, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ensaiou uma reaproximação ao governo federal na manhã desta quarta-feira (1º), mas pediu coerência.

Doria elogiou o discurso feito em rede nacional pelo presidente na noite de terça-feira (31), tido como mais cometido.

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"Eu, ontem, como cidadão, como brasileiro e como governador, fiquei feliz de assistir um presidente da República mais moderado e com bom senso, colocando uma mensagem equilibrada à população brasileira", afirmou em entrevista à imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

E emendou na sequência: "Mas amanheci preocupado, vendo o mesmo presidente da República numa postagem agredindo os governadores. Em qual presidente da República nós devemos confiar? Aquele que ontem fez uma mensagem ponderada no seu pronunciamento, ou no que menos de 12 hora depois faz uma agressão em postagem aos governadores. É preciso coerência, presidente."

Na manhã desta quarta, Bolsonaro publicou um vídeo que diz que há desabastecimento no Ceasa de Belo Horizonte (já desmentido pela instituição) e escreveu três frases: "Não é um desentendimento entre o Presidente e ALGUNS governadores e ALGUNS prefeitos..", diz o presidente. "São fatos e realidades que devem ser mostradas", prossegue. "Depois da destruição não interessa mostrar culpados", conclui o presidente.

Horas depois, Doria pediu que Bolsonaro "não caia na tentação de seguir a orientação daqueles que do seu gabinete do ódio propõem o confronto, o combate, a briga, a dissidência com governadores, com parlamentares, com o judiciário, com jornalistas, com meios de comunicação, ou contra qualquer outro que se oponha ou que formule críticas ao senhor", disse.

"Por enquanto prefiro levar em consideração sua manifestação de ontem e desconsiderar sua manifestação de hoje pela manhã", concluiu Doria.

O governador afirmou que não há desabastecimento no estado, nem perspectiva, e que os mercados e Ceagesp (entreposto comercial) têm funcionado normalmente.

O fechamento do comércio decretado pelo governador vale, inicialmente, até 7 de abril.

Doria afirmou que ainda não sabe se haverá prorrogação, e que essa medida só será anunciada na véspera, em 6 de abril.

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