Doria estende quarentena por 15 dias em SP e diz que PM dissipará aglomerações

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), também endureceu o tom e afirmou que a ordem é lacrar comércios abertos

Quarentena em São Paulo é prorrogada até 10 de maioQuarentena em São Paulo é prorrogada até 10 de maio - Foto: Governo de SP/Flickr

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em um discurso politizado, anunciou que vai renovar a quarentena no estado por mais 15 dias. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6) no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, em entrevista coletiva que o tucano dá diariamente.

Doria também afirmou que as guarda-civis e Polícia Militar serão usados para dissipar aglomerações, se necessário. "Prefeitas e prefeitos que estão nos assistindo aqui, vocês terão o dever a obrigação de seguirem nas suas cidades a orientação do governo do estado de SP", disse Doria.

"Devem exercer também ao lado da Polícia Militar o poder de polícia se houver desobediência dequalquer natureza. Nenhuma aglomeração de nenhuma espécie em nenhuma cidade ou área será permitida. As guardas deverão agir e se necessário recorrer à Polícia Militar para que possa haver a dissipação de qualquer movimento ou aglomeração", disse.

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De acordo com o tucano, as primeiras medidas serão orientativas. "Se não o fizerem, a segunda etapa será de medidas coercitiva, podendo penalizar com medidas previstas em lei, incluindo a prisão", disse Doria.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), também endureceu o tom e afirmou que a ordem é lacrar comércios abertos. "Orientação da prefeitura não é multar, é lacrar", disse. "E na reincidência cassar o alvará de funcionamento".

O tucano mais uma vez se contrapôs a Bolsonaro, dessa vez afirmando que várias pessoas do governo, com exceção do presidente, são favoráveis ao isolamento.
"No Brasil defendem isolamento o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, o ministro da Justiça, Sergio Moro, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, o vice-presidente Hamilton Mourão", disse Doria.

"Será que todos eles estão errados? Será que a ciência mundial está errada?", disse o tucano. "Será que um único presidente da República no mundo é o certo? É quem detém o poder, a ciência, para discordar do mundo?".

O novo período de quarentena vai até 22 de abril. Para embasar as decisões, Doria trouxe médicos para dar depoimentos sobre o assunto. "Se não houvesse nenhum tipo de medida, teriamos 277 mil mortos. Com as medidas vamos reduzir em 166 mil mortes", disse Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, sobre um cenário para 180 dias.

De volta ao trabalho, após se recuperar de coronavírus, o infectologista fez um depoimento sobre a sua experiência. "Foi um sentimento muito angustiante. você ir dormir não sabendo como acordar. Felizmente, Deus me ajudou e eu venci a quarentena", disse.

Uip foi aplaudido pelos presentes no Palácio dos Bandeirantes. Doria decretou quarentena a partir do dia 24 de março, como medida de combate à pandemia de coronavírus.

A medida implica o fechamento obrigatório de todo o comércio e serviços não essenciais -lojas, bares, cafés e restaurantes devem fechar as portas. Restaurantes continuarão vendendo no sistema delivery.

Um decreto será publicado detalhando o assunto nos próximos dias. Doria toma a medida um dia depois de a Justiça proibir cultos e obrigar a fiscalização, sob pena de multa e interdição, de comércios que permaneçam abertos. Ele também adotou, novamente, tom crítico ao presidente Jair Bolsonaro.

Na saúde, ficam abertos hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas. Na área de alimentação, supermercados, padarias e açougues. No caso das padarias, Doria disse que poderão vender os produtos (como pão), mas não alimentos preparados (refeições, por exemplo).

Permanecem abertos ainda transportadoras, postos de gasolina, oficinas de automóveis e motocicletas, serviços de transporte público, táxis, aplicativos de transporte, call center, lojas de pet shop e bancas de jornais. Bancos, serviços bancários, incluindo lotéricas, seguem funcionando.

O que fecha
bares
restaurantes
lojas de varejo
hotéis e hostels (para novos hóspedes)
salão de cabeleireiro
material de construção
baladas, casas noturnas e boates
sorveterias
Lan house
estabelecimentos de ensino, como escolas de música

O que abre
indústria
segurança (pública e privada)
limpeza
manutenção e zeladoria
hospitais
clínicas
farmácias
lavanderias
clínicas odontológicas
supermercados
hipermercados
feiras de rua
padarias
açougues
transportadoras
postos de gasolina
oficinas de automóveis e motocicletas
ônibus
trem
metrô
táxis
aplicativos de transporte
call center
pet shop
bancas de jornais
bancos
lotéricas

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