Drama de leitos de UTI em Pernambuco volta ao debate

Número de leitos não acompanha a necessidade. Demanda mensal é de 700 pacientes, o que equivale a 23 por dia

Défict de vagas,  não raro leva a  superlotação nas  terapias intensivas,  como no Pelópidas  Silveira, no útlimo dia 9Défict de vagas, não raro leva a superlotação nas terapias intensivas, como no Pelópidas Silveira, no útlimo dia 9 - Foto: Cremepe/cortesia

Uma conta que não fecha e um prejuízo que se acumula. Este é o retrato da problemática de leitos de UTI em Pernambuco. Dados da Procuradoria Geral do Estado (PGE) apontam que são 1.013 vagas para internamento intensivo. Só que a procura mensal que chega para a Central de Regulação é de 700 pacientes por mês, o que dá uma média de 23 por dia.

Com a Central muitas vezes de mãos atadas para alocar os doentes, os parentes têm recorrido com mais frequência à Justiça para garantir a internação. Apenas este ano foram 117 processos de judicialização de vagas para UTI, quando o governo é obrigado pelo juiz a internar o paciente.

O número representa em média de 10% dos processos contra o SUS em Pernambuco. A relação entre oferta e demanda das vagas de terapia intensiva foi um dos temas II Fórum de Direito Médico promovido pelo Real Hospital Português (RHP) e pela Escola Superior da Magistratura de Pernambuco (Esmape). O evento segue até esta sexta-feira (18).

“O problema é complexo e, por isso não, tem solução simples. Na verdade o Governo tem feito um esforço grande de reabertura e abertura de leitos de UTI. Também há um esforço na área de regulação dos leitos”, disse o procurador geral, César Caúla.

Nas contas da instituição cerca de 50 leitos foram reativados ou criados este ano e mais 27 devem ser reabertos até dezembro. Apesar de reconhecer o déficit das vagas, Caúla destacou que o setor ainda enfrenta questões culturais. “Muitas pessoas tem a crença na efetividade na internação em UTI como método de cura, quando a serventia muitas vezes não é o que o usuário imagina”, comentou, sobre a necessidade de pormenorização de critérios de internação que dinamize os acessos. A coordenadora do Núcleo de Saúde da PGE, Catarina de Sá, aponta que pleitos judiciais individuais também contribuem para o caos. “Eu vejo a judicalização da saúde como uma realidade.

Mas ela que prejudica e desorganiza todo o sistema de saúde na medida em que para atender a um único paciente, às vezes, se demanda um valor que poderíamos atender 100. O que não deixa de ser uma injustiça de certa forma. O ideal seriam ações coletivas para garantia de toda a coletividade”, apontou.

Para a médica e especialista em gestão pública, Luciene Lima, Pernambuco assim como o Brasil, vem se configurando como situação crônica. O quadro é decorrente do descompasso entre investimentos e demandas. “Faz mais de dez que vemos o problema, que poderia pelo menos estabilizar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que a razão de leitos seja de três a cinco para cada mil habitantes. Os EUA têm cerca de três, o Japão tem 12. Nós estamos abaixo com 2,4.”

Para ela faz-se necessário implementar novos modelos de assistência que desafoguem as UTI, como hospitais de perfil de longa permanência e a implantação de home care. Esta última opção de cuidados não é ofertada pelo SUS e também caiu nas estatísticas da judicialização. Atualmente, 102 pernambucanos têm os cuidados em casa ao custo de R$ 3 milhões mensais ao Estado. “O modelo de home care no Brasil ainda é muito caro, mas em outras partes do mundo não. É preciso criar critério para ele.” 

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