"É armação de Mysheva", diz Edmacy Ubirajara, inocentado do crime

Homem foi preso dois dias após o crime, mas câmeras do comércio provaram sua inocência

Câmeras do comércio garantiram liberdade a Edmacy UbirajaraCâmeras do comércio garantiram liberdade a Edmacy Ubirajara - Foto: Clemilson Campos/Folha de Pernambuco

Cunhado de um dos réus, José Maria Rosendo, Edmacy Ubirajara chegou a ser preso dois dias depois da morte do promotor de Itaíba, Thiago Farias Soares, ocorrida três anos atrás. Edmacy foi liberado porque as câmeras do comércio mostraram ele circulando pelo centro da cidade na hora do crime. A expectativa dele é de que se conheça a verdade com o julgamento.

"Isso tudo que está acontecendo aqui é uma armação de Mysheva. Ela sabia que eu morava numa fazenda e achava que eu estaria lá e não teria como provar que sou inocente. Por azar dela e sorte minha eu estava na cidade e as câmeras do comércio me filmaram lá. Vou conseguir provar minha inocência", disse.

"Eu fui tido como autor do crime. Zé Maria foi apontado como mandante. O mandante pode estar em qualquer lugar. Mas ela me colocou como autor do crime porque achava que eu estava na fazenda. As câmeras mostram quando eu botei gasolina no posto, quando eu comprei remédio na farmácia, botei recarga no meu telefone. Foi meio mundo de testemunha a favor de mim", detalha Edmacy.

Segundo ele, Zé Maria tem um desentendimento antigo com o pai de Mysheva. "Mudou tudo, não posso mais morar na fazenda, tive que morar na cidade, perdi a formatura dos meus filhos, não posso nem andar na rua que o povo vai perguntando, passei muito tempo sem sair de casa com vergonha", afirma.

Entenda o caso

O crime ocorreu no dia 14 de outubro de 2013 no interior de Pernambuco. Thiago Farias Soares estava acompanhado da noiva, a advogada Mysheva Martins, e do tio dela Adautivo Martins. Eles seguiam pela rodovia PE-300 a caminho de Itaíba, quando foram abordados por homens armados. Os tiros atingiram Thiago, que morreu na hora. O veículo deles parou. O carro dos assassinos contornou a via e, segundo as investigações, retornou para tentar assassinar tio e sobrinha, que escaparam com vida após se jogarem para fora do veículo, na estrada. A arma do crime nunca foi encontrada.

De acordo com o advogado de Mysheva, José Augusto, a motivação do crime foi a compra de 25 hectares de uma fazenda em Águas Belas. O imóvel, que possuía uma extensão total de 1.800 hectares, foi adquirido por Mysheva em um leilão - com isso, José Pedro teria sido obrigado a deixar o local. “Não resta dúvida de que o mandante é José Maria Pedro Rosendo”, afirmou Augusto.

Segundo o advogado, que assiste à acusação, “Passarinho” seguiu o veículo do casal e passou as informações sobre o trajeto dele para os executores. Na audiência de instrução do processo, que ocorreu de 24 a 27 de março de 2015, Mysheva e Adautivo depuseram. Na ocasião, foram ouvidas 34 testemunhas, sendo 16 arroladas pela acusação e 18 pela defesa.

“Estamos confiantes na condenação dos réus. Isso vai acabar com a impunidade em Pernambuco, pois Zé Maria já responde por sequestro, respondeu por um homicídio e diversos crimes”, complementou. Entre as provas registradas nos autos do processo estão a perícia no carro da vítima, reconstrução do crime em 3D pela Polícia Federal e o depoimento de Mysheva, que, segundo José Augusto, não apresenta falhas.

Já para a defesa dos réus, o depoimento da advogada Mysheva Martins é contraditório. “Foram seis depoimentos da Mysheva, que só provam que o que mais existe no processo são dúvidas e inconclusões”, alegou o advogado Anderson Flexa, que faz parte da equipe de quatro advogados que defende os acusados. “A primeira grande mentira no processo indicava Edymacy Ubirajara como estando no veículo e que ele teria atirando no promotor. Provou-se, através de perícias e das testemunhas, que a imputação feita por Mysheva não era verdadeira, assim como várias outras imputações não são”, complementa. Na época das investigações, Edymacy chegou a ser preso, porém foi liberado.

Segundo Flexa, o único fato comprovado é o assassinato do promotor. “Fora isso, nada é conclusivo”, afirmou. Ele declara que foram realizadas três perícias que trouxeram, por sua vez, três resultados diferentes. “Inclusive, há divergência em relação à quantidade de tiros, à ordem dos tiros e ao posicionamento da arma utilizada”, declara.

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