É preciso monitorar para evitar “acidentes”

Caso do menino que se enforcou em casa durante jogo on line levanta a questão do cuidado dos pais

Evandro Avelar, secretario de Serviços Públicos de OlindaEvandro Avelar, secretario de Serviços Públicos de Olinda - Foto: André Nery/Folha PE

O caso de um adolescente de 13 anos que morreu enforcado durante uma partida de um jogo online trouxe de volta à tona uma antiga discussão sobre os limites do uso da internet por jovens. O garoto teria participado de um “choking game”, ou “jogo de asfixia”. Embora muitos pais acabem culpando a web por casos como esse, especialistas rebatem e indicam que o cuidado dos responsáveis sobre o que os filhos fazem no ambiente digital é determinante para o bom uso. Estar próximo é a melhor maneira de prevenir “acidentes”.

O responsável precisa saber de que forma o jovem acessa a web. “É preciso monitorar e entender aquilo que os filhos utilizam. Pela rotina, os pais geralmente deixam de lado esse acompanhamento e isso é uma falha. Depois culpam a internet pelos males causados. Muitas vezes, os pais também são responsáveis”, pondera o psicólogo especialista em comportamento online Igor Lins Lemos.

Monitorar sem invadir. Essa é a chave, segundo o psicólogo e professor da Universidade Católica, Carlos Brito. “O pai pode se mostrar curioso, procurar compartilhar daquele momento com o filho. Ser companheiro não significa ser cúmplice. É preciso mostrar que está ao lado e colocar, na medida do possível, limites, sem ser autoritário e invasivo”, orienta. E a escola também tem papel importante. “Problemas co­mo esses não são discutidos no ambiente escolar, com as famílias e os alunos. Esse fenômeno tem que fazer parte do currículo escolar”, opina. No caso das crianças, no entanto, é necessário ter um monitoramento mais incisivo, mas sempre explicando os motivos da “invasão”.

Fato é que o tempo que crianças e adolescentes passam expostos à internet nesta quarta tem sido muito maior do que deveria. “O máximo diário deve ser de duas horas. Para a criança, o tempo deve ser fracionado, enquanto para o adolescente pode ser seguido”, indica Lemos, que acrescenta: “Isolamento, alteração de humor, dificuldade de se expressar, alterações nas notas da escola, em relacionamentos, tempo excessivo de uso de tecnologia são sinais de que algo está errado”. 

Entenda o caso

Gustavo Rivieiros Detter, de 13 anos, foi encontrado enforcado na casa do pai dele, em São Paulo, no último sábado. Segundo a polícia, ele estava jogando sozinho no computador do quarto do pai. Ao notar a ausência dele, um dos colegas com quem conversava ligou para a prima do garoto, que estava no quarto ao lado. O estudante foi achado com uma corda no pescoço, reanimado e socorrido a um hospital, mas faleceu no domingo.

O “jogo de asfixia” é uma prática na qual a pessoa interrompe a respiração para que tenha desmaios, vertigens e sensação de euforia. Há casos de mortes em países como os EUA (82 entre 1997 e 2005) e na França (dez ao ano), por exemplo.

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