Economia criativa aliada à visão social em pauta no Rec'n'Play
Embaixador para indústrias criativas da Prefeitura de Londres, John Newbigin, destacou importância de pensar inovação nos contextos sociais
John Newbigin, um dos fundadores do conceito de indústrias criativas na Grã-Bretanha, palestrou no espaço A Ponte, na Avenida Cais do Apolo, em meio à programação do festival de soluções digitais REC'n'Play na manhã desta sexta-feira (9).
Para ele, não é somente pensar na inovação em si, pois nem sempre o puro avanço tecnológico é benéfico. Para John, que também é embaixador para indústrias criativas da Prefeitura de Londres e CEO da Creative England, uma parceria público-privada que investe em negócios criativos e em tecnologia digital, é preciso que a inovação seja pensada num contexto social mais amplo.
Usinas nucleares e grandes edifícios próximos às periferias são exemplos de inovação desassociada de uma consciência social, segundo John. "Pensamos sobre todas essas soluções tecnológicas, mas não pensamos em suas consequências".
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Ele ainda afirma que é preciso repensar o sistema educacional para abranger outras formas de inteligência. "Muitos pais temem que seus filhos vão brincar com videogame na escola", diz em tom de brincadeira. Newbigin acredita que se aprende muito mais na prática, permitindo que os estudantes desenvolvam suas habilidades criativas.
E não somente as escolas. Espaços como bares e cafés podem ser o berço de discussões para ideias inovadoras. Para Newbigin, as empresas precisam perceber que esses lugares são importantes para entrar em contato com outras pessoas e suas respectivas ideias, para discutir e pensar as verdadeiras ideias inovadoras.
Questionado sobre um crescente individualismo no mundo, John argumenta que muitas vezes problemas sociais e ambientais são ignorados por serem aterrorizantes demais. "Mas precisamos pensar em soluções criativas. Devemos mostrar que esse tipo de progresso inclusivo é possível", conclui.
Cidades inteligentes
A reportagem também visitou a oficina Cidades Inteligentes, Cidades Vigiadas, ministrada Jump Brasil, na Rua do Observatório, por Bernardo Loureiro, da Medida SP. Os participantes da oficina foram instigados a pensar as implicações da definição de cidades inteligentes e problematizar o presente através de exercícios de futurismo fundamentado em técnicas de design especulativo para criação de uma cidade distópica.
Também na chave da sustentabilidade, foi realizada a palestra "Phytorestore: Jardins Filtrantes", no auditório do SinsPire, localizado na Rua da Guia, em frente à Praça do Arsenal. Foi ressaltada a importância de se pensar novas maneiras de realizar processos tradicionais, a exemplo do tratamento da água que, segundo as palestrantes, nos seus moldes mais difundidos, é bastante caro, considerando-se o alto gasto em energia elétrica. Uma das alternativas apresentadas é o jardim filtrante, que potencializa a capacidade da natureza de remoção dos poluentes de forma sustentável e ainda agrega valor arquitetônico e paisagístico.
Do lado de fora do SinsPire, acontecia uma oficina para confecção de fantasias. Com auxílio dos artistas Jacaré e Anderson Pereira, os participantes confeccionaram fantasias tentando trazer o conceito de vestirem-se do REC'n'Play.

