Educação Emocional se torna disciplina nas escolas do Cabo de Santo Agostinho

Metodologia intitulada de Liga Pela Paz busca desenvolver as habilidades socioemociais nos estudantes

João Roberto de Araújo, o orientador de conteúdo da Inteligência Relacional, afirma que as emoções são negligenciadas na educação das escolasJoão Roberto de Araújo, o orientador de conteúdo da Inteligência Relacional, afirma que as emoções são negligenciadas na educação das escolas - Foto: Divulgação

Alegria. Tristeza. Raiva. Essas emoções, muitas vezes negligenciadas na educação oferecida nas escolas, agora terão um olhar importante na rede municipal do Cabo de Santo Agostinho. A grade curricular de 2018 contará com conteúdos de Educação Emocional e Social. A inciativa é da Secretaria Municipal de Educação em parceria com a metodologia desenvolvida pela Inteligência Relacional chamada de Liga Pela Paz.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o fundador e orientador desse conteúdo, João Roberto de Araújo, explica que trabalhar com esse tipo de abordagem tem mostrado que há uma melhora na aprendizagem dos conteúdos convencionais. “Para aprender bem, é preciso estar emocionalmente bem. O que existe é que culturalmente é dado ênfase ao desenvolvimento material, tecnológico, e o bem-estar subjetivo é deixado em segundo plano”, comentou o especialista. 

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Cerca de mil professores, colaboradores e vereadores do Cabo de Santo Agostinho, participam, nesta quinta-feira (1º), da palestra “O ambiente afetivo e social da escola e o desenvolvimento das crianças e adolescentes”. O evento, que marca a abertura do ano letivo, será na Escola Municipal Professor Manoel Davi, em Ponte dos Carvalhos, a partir das 8h30.

As aulas de Educação Emocional e Social fazem parte das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No município do Cabo, 29.714 alunos e cerca de três mil educadores da Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e EJAI (Educação de Jovens, Adultos e Idosos) serão contemplados com o projeto. “As emoções têm um papel muito importante em nossas ações. O problema não é sentir raiva, mas o que podemos fazer com esse sentimento. Ao sentir raiva, eu posso fazer coisas ruins ou construir coisas maravilhosas a partir dela”, exemplifica o orientador da Liga Pela Paz.

Essa metodologia envolvendo a educação socioemocional já está presente em 22 estados do Brasil - no Nordeste, tem sido praticada há cinco anos em escolas da Paraíba - e chegou à França em 2016. “Nós fazemos uma avaliação com as crianças através de um questionário no começo do ano letivo e comparamos essas respostas no final do ano. Percebemos que houve uma melhora de 30% da aprendizagem e, em outros aspectos emocionais, como a agressividade”, afirmou João Alberto Araújo.

De acordo com a secretária de Educação do Cabo de Santo Agostinho, Sueli Nunes, trazer esse projeto para a rede municipal de ensino é uma forma de propagar a Cultura de Paz e ajudar nos relacionamentos entre os profissionais da educação e os alunos e na convivência em sala de aula, tanto que o tema escolhido para o ano letivo é “Do conhecimento que liberta ao amor que educa”.

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