Educação híbrida é debatida no Recife

Evento gratuito para profissionais da educação foi realizado no Recife para repensar a relação entre ensino e tecnologia

Professor e empresário Fábio Toledo foi um dos palestrantesProfessor e empresário Fábio Toledo foi um dos palestrantes - Foto: Caio Danyalgil/Folha de Pernambuco

Fazer “educação 4.0”, ou seja, colocar a demanda do aluno dentro da sala de aula utilizando tecnologias ainda não é realidade em Pernambuco. Mas aos poucos, vem sendo adotada por gestores, professores e alunos. Nessa segunda-feira (29), um evento gratuito para 200 profissionais da educação foi realizado no Colégio Madre de Deus, na Zona Sul do Recife, para repensar a relação entre ensino e tecnologia.

As crianças e adolescentes não guardam mais um dia na semana para irem à aula de informática, como era até pouco tempo atrás. Atualmente, a união entre tecnologia e educação, chamada de educação híbrida, vem timidamente ganhando espaço nas instituições públicas e privadas.

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O professor de música Júnior Melo, depois dos seus 20 anos em sala de aula, também se viu na posição de recriar a concepção dos alunos sobre as aulas de música. “Os alunos achavam que a aula seria apenas coral e leitura de partituras, mas eu tento diariamente surpreender e deixar eles mais curiosos”, comenta ao contar sobre a utilização de softwares para a compreensão de notas musicais.

O caminho para essa mudança, no entanto, não foi fácil. Júnior conta que, ao mesmo tempo, em que busca estimular a curiosidade nos estudantes, aprende com eles sobre as novidades do mundo da internet. “O desafio é encantar o aluno todos os dias, para que ele queira participar da aula. Eu conto muito com a interação deles, a dinâmica para que cada um aprenda do seu jeito”, conta.

A ideia principal da Educação 4.0 é a tecnologia como um complemento que dinamiza os processos de aprendizagem e acompanha as demandas do educando, como explica o professor e empresário Fábio Toledo, um dos palestrantes do evento. “Também chamada de educação neural, o personagem principal dessa lógica são as conexões entre professores e alunos, como eles se relacionam com os próprios métodos de ensino e com eles mesmos nessa prática”, explica. Fábio conceitua ainda uma das ramificações desse método: a educação híbrida, que traz softwares, aplicativos e games para uma maior contextualização do conteúdo escolar.

“No dia-a-dia, o aluno vai assistir aula no colégio sentado em frente a um quadro em branco, em um ambiente passivo e não estimulante. Se pensarmos em como os games funcionam com as pessoas, é possível encontrar o engajamento das crianças e adolescentes para aprender”, analisa o professor, que traz a ideia de recompensas e um ambiente em que desafie o estudante a aprender, e não se sinta desestimulado com aquela matéria que ele possua mais dificuldade.

Muitas etapas ainda precisam ser concretizar para que a educação híbrida seja possível. Fábio Toledo coloca como peça-chave a capacitação do professor e o direcionamento de potencial tecnológico de cada um, em outras palavras, de que forma a tecnologia pode ajudar na dinâmica daquele assunto. “É importante ressaltar que essa utilização deve ser limitada, já que essa ciência é apenas uma de diversas formas do estímulo ao aprendizado”, comenta.

Para a especialista em tecnologia em aprendizagem, políticas educacionais e inovação, Jéssica Oliveira, a sala de aula deve ser um ambiente em que o aluno goste de estar e, para isso, o ensino híbrido seja posto em questão e repensado. “O jogo ou uso da internet constrói essa relação com o aprendizado, mas também faz o aluno refletir sobre o uso excessivo da tecnologia. Através das aulas de tecnologia educacional, é possível questionar as relações fora do contexto virtual e também fortalecê-las”, conclui.

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