'Ela achava que podia resolver tudo amigavelmente', diz tio de Patrícia Cristina
Marcílio Araújo contou à reportagem da Folha de Pernambuco que Patricia Cristina revelou a amigas que estava "vivendo um inferno" antes do suposto crime cometido pelo marido
Patrícia Cristina Araújo Santos morreu no último 4 de novembro. Neste domingo (25), data que marca o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, familiares e amigos se reuniram em protesto por Justiça para a morte da engenheira de sistemas. As investigações apontam o marido da vítima, Guilherme José de Lira Santos, como suspeito de ter jogado o carro deliberadamente contra uma obstáculo para matá-la. Marcílio Araújo, tio de Patrícia Cristina, revelou desabafo dela às amigas sobre problemas na relação.
“Ela (Patrícia) procurava preservá-lo (Guilherme), por ser o pai dos seus filhos. Nunca contou aos familiares sobre a pressão psicológica e as agressões verbais que sofria. Nunca fez um Boletim de Ocorrência. Achava que podia resolver tudo amigavelmente. Não havia agressão física, mas Patrícia dizia às amigas que nos últimos cinco anos vivia um inferno”, conta Marcílio Araújo.
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Marcílio relata que, no dia da morte, a engenheira desceu de short, descalça, apenas para conversar com o ex-marido, de quem estava separada, ainda não oficialmente, há seis meses. Após a colisão, o lado do carro onde ela estava ficou tão amassado que Patrícia precisou ser retirada pela parte traseira do veículo, enquanto o lado de Guilherme não sofreu impacto.
Segundo uma testemunha, Guilherme desceu do carro, sentou no meio-fio e fez algumas ligações, uma delas para o irmão da vítima, que foi levada para um hospital pelo Samu. "Até agora só temos as mesmas notícias que vocês (da imprensa). É por isso que a gente tá assim, esperando para ver o que o delegado Diogo Acioli vai falar na próxima terça-feira, após o encerramento do inquérito nesta segunda", afirmou Marcílio Araújo.
Caso
Patrícia Cristina Araújo Santos, de 46 anos, era passageira de um veículo conduzido pelo marido, Guilherme José de Lira Santos, 47 anos, quando houve a colisão e, consequentemente a morte. De acordo com Diego Acioli, titular da 1ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o automóvel estava em alta velocidade e teria sido jogado propositadamente contra a árvore.

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