'Ela me dizia: Eu sou uma bruxa e vou ser famosa de uma forma boa ou ruim', diz Jorge Beltrão sobre

Depoimento foi dado durante júri, que ocorre nesta sexta-feira (14), no Recife. Réu acusa Bruna Cristina de ser a articuladora do grupo.

"Canibais de Garanhuns": Jorge Beltrão é um dos acusados"Canibais de Garanhuns": Jorge Beltrão é um dos acusados - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Acusado de duplo homicídio triplamente qualificado, ocultação e vilipêndio de cadáver e furto qualificado, Jorge Beltrão Negromonte, um dos "Canibais de Garanhuns" e que completa 57 anos nesta sexta-feira (14), afirmou em depoimento no júri popular, no Recife, que Bruna Cristina, de 27, - outra acusada - seria a articuladora dos crimes.

Segundo Jorge Beltrão, a ré seria a "bruxa que implantou a ideia original da 'seita de purificação' do grupo". O réu se manteve frio e firme todo o tempo de seu interrogatório, dado no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha de Joana Bezerra, na área central do Recife.

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Jorge foi diversas vezes questionado sobre sua participação nos assassinatos e afirmou que não se lembrava. A articuladora, segundo Jorge, seria Bruna Cristina, que se diz "bruxa". “Ela me dizia: Eu sou uma bruxa e vou ser famosa de uma forma boa ou ruim”. O réu relatou que, no episódio da morte de Gisele, uma das vítimas, ele estava sem seus remédios e, por isso, não lembrava bem da situação. Também afirmou não ter participado do assassinato.

Bruna controlava o meu medicamento. Ela me disse que o médico havia mandado que suspendesse por um tempo, para ver como eu reagia. E foi neste dia que ela levou Gisele pra lá”, afirmou. "Me lembro apenas de flashes, ela me acordando, arrumando a cama e depois me dando o remédio. Quando acordei no dia seguinte também, buraco na areia [do jardim] já estava fechado e ele viu carne na geladeira, mas eu tenho certeza que aquela carne é de boi”, declarou o réu.

Por fim, Jorge afirmou que, em seu livro, 90% das coisas foram escritas por ele quando estava sob surto. “Todo ser humano tem um instinto assassino, o homem é o único que ser que mata por prazer”. Os outros 10% teriam sido ditados por Bruna, que seriam as partes em que ele descreve os crimes.

Júri
Cinco homens e duas mulheres formam o júri popular de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 57 anos, Isabel Cristina Pires da Silveira, de 56, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, de 27 anos, que ficaram conhecidos como “os Canibais de Garanhuns”. A sessão ocorre nesta sexta-feira (14) na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha de Joana Bezerra, na área central do Recife.

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