Gordofobia

Câmara Municipal do Recife debateu gordofobia em audiência pública

Entidades da sociedade civil ligadas ao tema, educadores e estudiosos participaram do encontro virtual, que dialogou sobre políticas públicas, vivência, preconceitos e mudança de perspectiva

Requerida pela vereadora Cida Pedrosa, audiência pública debateu sobre gordofobiaRequerida pela vereadora Cida Pedrosa, audiência pública debateu sobre gordofobia - Foto: Reprodução

Apoiada nos dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telêfonico (Vigitel) de 2018, que mostra o Recife com 54,4% da população com excesso de peso e 21% com obesidade, a Câmara Municipal do Recife discutiu, nesta quarta-feira (09), a gordofobia, em audiência pública requerida pela vereadora Cida Pedrosa (PC do B).

Na mesa de debate, estavam Karla Rezende, fundadora do coletivo Mundo Plus em Movimento; Marco Magoga, ativista antigordofobia; Aline Sales, fundadora do coletivo Bonita de Corpo; Beatriz Klimeck, antropóloga e doutoranda em Saúde Coletiva; Catarina Gonçalves, pedagoga e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Carol Stadler, designer e pesquisadora em moda, corpo e consumo.

A conversa teve como principal objetivo desmistificar os conceitos de desleixo, falta de saúde e preguiça, que são comumentes associados ao tema, além de evidenciar como o preconceito pode ocorrer de forma estrutural e se reforça a partir da ausência de políticas públicas que garantam o direito dessa parcela da população.

"Nós não fazemos apologia à gordura. Entendemos a importância e prezamos pela saúde. Mas queremos fazer entender que nem todo magro é saudável, assim como nem todo gordo é doente", deu início Karla Rezende, do Mundo Plus em Movimento, coletivo que acolhe, em sua maioria, meninas e mulheres gordas para discutir o padrão de beleza

Na sequência, o ativista antigordofobia Marcos Magoga falou sobre a importância da construção de políticas públicas bem feitas voltadas para o público. "Políticas públicas são para atender a população. Não é privilégio, mas é sobre a estrutura da cidade e como esse local recebe e comporta pessoas gordas", disse. "Assentos preferenciais e poltronas maiores são algumas das ações que já acontecem, mas isso ainda é embrionário. Precisamos de entendimento para acabar com o tratamento hostil do dia a dia. Precisamos de macas que comportem pessoas gordas, de equipamentos de pressão que fechem em nosso braço, dentre tantas outras ações que vão além da guerra contra a obesidade", emendou Magoga.

Projetos de lei

Com três projetos de lei relacionados ao tema (PLO 37/2012, PLO 36/2001, PLO 35/2021) protocolados deste o início do seu mandato, a vereadora Cida Pedrosa acredita que os estabelecimentos devem fazer mais do que simplesmente cumprir a lei. "Nos cinemas e teatros, as poltronas preferenciais para pessoas gordas ficam separadas. Se for um casal de gordos, por exemplo, eles vão ficar separados?", disse a vereadora. "A importância de debater isso, e trazer para perto as pessoas que pesquisam, entendem e vivenciam, é enorme. Isso precisa ser discutido e construído em conjunto", complementou Pedrosa. 

Ao fim da conversa, todo o relatório da audiência pública será encaminhado para instituições e entidades a fim de promover a inclusão, como a Prefeitura do Recife, em especial às secretárias de Saúde, Educação e Cultura; dirigentes lojistas; Conselho Regional de Medicina; Coordenação de cursos de formação de professores de universidades públicas e privadas, além do Ministério Público do Estado.

Segundo a requerente da audiência, um novo encontro deve ser marcado ainda este ano, no mês de setembro, para um novo debate, com a inclusão de novas vozes na conversa.

Conheça os PLOs 37/2012, 36/2001 e 35/2021

O PLO 37/2012 propõe que o município do Recife ofereça carteiras escolares adequadas para quem está acima do peso, evitando que crianças e adolescentes continuem sofrendo constrangimento num ambiente onde deveriam se sentir seguros.

O PLO 36/2001 estabelece medidas que devem ser adotadas pelos serviços de saúde para assegurar assistência adequada e acessível, livre de práticas gordofóbicas.  Os dois projetos caracterizam a pessoa gorda como alguém com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 25 (sobrepeso) e gordofobia como o preconceito, repulsa ou discriminação social, política e econômica cometidas contra a pessoa gorda.

Já o terceiro projeto de lei ordinária, o PLO 35/2021 institui o Dia Municipal de Luta contra a Gordofobia no Recife, para chamar a atenção do público para a discriminação e preconceito que essas pessoas enfrentam diariamente e reafirmar seus direitos.

 

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