Em campanha, Doria mostra médicos mortos e apela a paulista para ficar em casa

Especialistas creem que será difícil o tucano escapar de políticas de lockdown (confinamento) caso a curva paulista da doença não mude

Governador do Estado de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa sobre coronavírus.Governador do Estado de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa sobre coronavírus. - Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Preocupado com a baixa adesão ao isolamento social no estado na pandemia da Covid-19, o governo de São Paulo resolveu modificar sua campanha publicitária pedindo para as pessoas ficarem em casa, adotando um tom mais grave.

A partir desta quinta (14), filmes de 1 minutos na TV e na internet mostrarão quatro casos reais de mortes de profissionais de saúde devido ao novo coronavírus. Seus nomes, função, idade e cidade de atuação acompanham as fotos e um pequeno texto explicando as condições do óbito: sem doenças preexistentes, falecido após 19 dias na UTI etc.

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"Essas vítimas era profissionais de saúde que estavam lutando para salvar suas vidas", segue o texto, que em seguida mostra o depoimento do médico Jaques Sztalnbok, do hospital paulistano Emílo Ribas, pedindo para que as pessoas fiquem em casa.

A dramaticidade do vídeo muda o tom do governo. Inicialmente, havia a preocupação de um tom de alerta sobre a gravidade da pandemia. Com a adesão inicial abaixo dos 70% desejados, mas acima dos 50%, a retórica foi mudada para a associação entre ficar em casa e um ato de amor ao próximo.

Pesaram no cálculo as críticas duras vindas do governo federal. Jair Bolsonaro (sem partido) e João Doria (PSDB-SP) estão em polos opostos no embate público sobre a condução da doença.

O presidente busca minimizar aspectos médicos da crise e priorizar uma tentativa de reabertura da economia, mesmo com as curvas de infecção e mortes pela Covid-19 na ascendente. Já o governador paulista mantém a política de quarentena, que foi estendida até 31 de maio inicialmente. Especialistas creem que será difícil o tucano escapar, em alguma medida, de políticas de lockdown (confinamento) caso a curva paulista da doença não mude.

A propaganda vai numa direção algo contrária daquela da prefeitura paulistana, comandada por Bruno Covas (PSDB). A campanha municipal teve peças de tom bastante dramático, lembrando a tragédia dos corpos empilhados em Guayaquil (Equador), e agora está mais leve.

A capital também adotou, sem informar antes o governo estadual, um rodízio radical em que apenas metade da frota pode circular todos os dias, o que é alvo de críticas por especialistas por sobrecarregar o transporte coletivo.

Nesta terça (12), o confinamento medido a partir da movimentação de pessoas com celulares em 104 cidades com mais de 70 mil habitantes estava em apenas 47%.
No governo paulista, a discussão tem sido cada vez menos sobre o se, e mais sobre o quando o lockdown ocorrerá. E, principalmente, acerca do como ele seria executado.

Não há consenso sobre como seria feito o uso de forças policiais, já que as insinuações iniciais de Doria de que no extremo poderia haver prisões ou multas a moradores foram mal recebidas politicamente.

A ideia de punições, apoiada pela população segundo o Datafolha, virou munição de Bolsonaro não só contra Doria, mas também outros governadores e prefeitos na mesma situação. A exequibilidade do lockdown também é questionada: em lugares como Belém, a cidade manteve ruas lotadas mesmo com a ordem.

São Paulo tem mais de 50 mil casos e de 4 mil mortes pela Covid-19, sendo um dos epicentros da pandemia no país –uma obviedade dado o fato de ser o estado mais populoso e também o principal centro de circulação de pessoas de outras regiões e países no Brasil.

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