Em clima de esperança, Geap reabre após assalto com 4 mortes

Palestra com mais de 500 pessoas presentes marcou retomada das atividades, na noite desta quinta-feira (20), 15 dias após tragédia

Palestra marca reabertura do GeapPalestra marca reabertura do Geap - Foto: Arthur de Souza/ Folha de Pernambuco

O Grupo Espírita Amor ao Próximo (Geap) retomou as atividades, nesta quinta-feira (20), 15 dias após o assalto que deixou quatro pessoas mortas e duas feridas. O salão onde a tragédia ocorreu, no primeiro andar do prédio, estava lotado, com quase 400 pessoas, sentadas e em pé, num clima de esperança em um novo recomeço. Todos procurando confortar uns aos outros durante palestra que reuniu parentes e amigos das vítimas, além de frequentadores do centro espírita, localizado no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

O evento de reabertura começou por volta 20h. Na primeira fila, estavam parentes das vítimas mortas, o cabo Alexsandro Alves de Melo, 40 anos, e Luisiana de Barros Correia Nunes Costa, 57. Ambos frequentavam o Geap. As outras duas vítimas são Cleiton Fiorentino de Oliveira, 23, e Felipe Lima Ferreira da Silva, 18, integrantes do grupo que realizou o assalto.

O educador Sérgio Costa era casado com Luisiana, e os dois visitavam o centro há 24 anos. Ele foi ao microfone agradecer a presença do público. “Com certeza, eles estão aqui conosco e eles precisam que nós sejamos fortes para que continuem a sua caminhada. Nós ainda somos muito pequenos para termos uma noção do que aconteceu. Não vamos guardar mágoa, raiva, vingança porque nada disso vai nos confortar. O que vai nos confortar é a luz de Deus”, disse o viúvo.

Um dos coordenadores do centro, Mário Portela afirmou que a reabertura do Geap é o marco de renovação. “A noite de hoje vai inaugurar um novo momento, um momento onde nós estamos fortalecidos. Não vamos desistir, vamos continuar semeando amor”, comentou.

Mário lembrou que recebeu mensagens de conforto de padres, pastores e pais de santo, além de pessoas sem ligação a qualquer instituição religiosa. "Receber o apoio de todas essas pessoas mostra que outras mentes também estão empenhadas na formação de uma cultura de paz e é isso que nós queremos construir no Geap", disse.

O palestrante da noite, Frederico Menezes, falou sobre o tema “Se dez vidas tivesse, dez vidas daria pela causa da luz”. Ele pediu otimismo e confiança aos que fazem parte do Geap. "Ter fé quando tudo está bem é muito fácil, difícil é ter fé num momento de sofrimento e provação. Não devemos guardar mágoa e ressentimento, porque isso é como se estivéssemos ingerindo um veneno. O ressentimento nos deixa doente, já o perdão nos traz alívio".

Uma das fundadores do Geap, Flora Cavalcanti explicou que foi feita uma reunião na quarta-feira passada (12) com todos os trabalhadores para saber se todos se sentiam prontos para a ocasião. "Reabrimos o centro pela nossa fé, para renovar o amor, a caridade com o próximo e o perdão. Ter os parentes das pessoas que morreram na reabertura do centro é muito simbólico para nós", afirmou.

Além do público que estava no primeiro andar, havia mais cerca de cem pessoas no andar térreo, acompanhando a palestra por um telão, totalizando mais de 400 pessoas nesta reabertura - a média de público nas reuniões diárias é de 150 a 200 pessoas. Uma viatura da Polícia Militar estava do lado de fora do Geap.

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Entenda o caso
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, dois assaltantes participavam disfarçadamente de uma reunião que acontecia em um salão no primeiro andar da casa, no último dia 5 de julho, quando outros quatros renderam e fizeram refém um casal que estava na frente do Geap, localizado na rua Zelindo Marafante. Cerca de 200 pessoas participavam do encontro.

Depois de anunciarem o assalto, por volta das 20h30, os criminosos pediram para que os homens levantassem a camisa. De acordo com a polícia, foi nesse momento que o cabo Alexsandro foi executado com três tiros na cabeça. 

A frequentadora Luisiana, que estava “na linha de tiro”, segundo a polícia, também morreu durante o assalto. Ela levou três tiros, sendo um na cabeça, outro nas costas e mais um nas nádegas. A vítima era casada com Sérgio Costa, irmão do deputado federal pernambucano Silvio Costa (PTdoB).

Outro policial presente no centro teria escutado os disparos do primeiro andar e descido, entrando em confronto com os assaltantes. Dois deles foram mortos no local (Cleiton e Felipe) e um terceiro, ferido (Jefferson Gonçalo da Silva, 22). Esse último já se apresentou à polícia.

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