Em defesa da educação, estudantes da UFPE oferecem serviços à população em praça pública

A ação que acontece nesta terça (13) na praça do Engenho do Meio prova que a população é a maior beneficiada com os investimentos em universidades federais

Alunos da UFPE oferecem serviços para a população.Alunos da UFPE oferecem serviços para a população. - Foto: Arthur Mota/ Folha de Pernambuco

Em clima de luta pela educação pública, estudantes e professores da área de saúde da Universidade Federal de Pernambuco se reuniram, na manhã desta terça-feira (13), em ação na praça do Engenho do Meio, na Zona Oeste do Recife. A mobilização foi a terceira edição do Universidade nas Ruas, projeto que busca dar visibilidade à importância do conhecimento acadêmico como um meio de impacto no desenvolvimento social, cultural, tecnológico e econômico da sociedade - algo que é viabilizado através da exposição do conteúdo produzido pela universidade em locais públicos da cidade.

Nesta edição, participaram os cursos de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem, nutrição e medicina. Em conjunto, alunos e professores expuseram projetos de pesquisa e ofereceram atividades da área, como ginástica laboral, aferição de pressão, auriculoterapia e orientações sobre prevenção de doenças. Quem passou pelo local logo percebeu o movimento atípico na praça e se interessou pelos cartazes confeccionados e pelos serviços.

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Íria dos Santos, de 43 anos, foi uma das transeuntes atraída pela curiosidade. A mulher deixava a filha na escola quando percebeu o grupo de estudantes. Para ela, a mobilização foi importante na medida em que há a “necessidade de ter pessoas que sejam experientes e forneçam assistência para a comunidade”. Na ocasião, a economista já tinha verificado a pressão e se preparava para participar de outras atividades. “A sociedade precisa disso, a gente sente quando falta”, completa.

A ação fez parte do ato em defesa da educação e contra a reforma da Previdência que acontece às 15h na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro, região central do Recife. De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe), Edson Siqueira, a luta é para que os alunos possam continuar a ter uma formação de qualidade. “Nós hoje já não podemos mais usar o ar-condicionado nas salas com ventilação e as aulas de campo estão suspensas. Com essa sequência de cortes que ocorreram, nós simplesmente não vamos ter como funcionar a partir de setembro”, argumentou Siqueira.

A expectativa da associação é a de recuperar a verba de 2019 e pensar de forma mais estratégica para o próximo ano. “Estamos todos atentos para que o orçamento de 2019 seja recomposto urgentemente, que nós comecemos a discutir o orçamento de 2020 sem comprometer a essência da produção científica e do ensino”, informou. 

Ostentando um cartaz que convida a população a cuidar da saúde do coração, o estudante de fisioterapia Betuel Gomes, de 22 anos, contou já sentir na pele os impactos causados pelos contingenciamentos de verba para a educação e espera sensibilizar a população mostrando como o conhecimento acadêmico atua na prática. “A gente trabalha com pesquisa, a gente trabalha com extensão, então é importante que a gente venha à rua mostrar à população que a gente está na universidade mas não está fazendo balbúrdia, a gente não está brincando e nem usando drogas, a gente está produzindo”. Para o aluno, o futuro da saúde depende de investimentos na universidade pública. “Nós somos os profissionais do amanhã, estamos em busca disso, como faremos isso sem os recursos?”, completou.

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