Em fase de aceleração, Pernambuco vê óbitos quase triplicarem em uma semana

Eram 65 mortes e 684 casos diagnosticados até o dia 10. Nesta sexta (17), Estado chegou a 186 mortes e 2.006 casos

Secretário de Saúde de Pernambuco, André LongoSecretário de Saúde de Pernambuco, André Longo - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Em uma semana, o cenário da epidemia do novo coronavírus mudou drasticamente em Pernambuco. No último dia 10, a semana se encerrava com 684 pacientes com diagnóstico laboratorial para a Covid-19 e 65 mortes em decorrência da doença. Dos casos ativos, apenas 31 estavam em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros 185 em enfermarias. Eram 359 pessoas em isolamento domiciliar e o número de municípios do Estado atingidos pelo vírus era 39.

Sete dias depois, nesta sexta (17), os números deixaram evidente a entrada na fase de aceleração descontrolada, quando há um aumento substancial na quantidade de ocorrências. O total de vítimas fatais quase triplicou, são 186. Já o número de pessoas que tiveram diagnóstico laboratorial positivo para a Covid-19 subiu para 2.006.

As internações em UTI com diagnóstico confirmado são 70, mas há ainda uma parcela de pacientes aguardando resultado de coleta. Mais de 90% dos leitos desse tipo estão ocupados. As enfermarias acomodam outros 303 doentes, que podem evoluir positivamente para o isolamento domiciliar ou precisar de suporte intensivo.

A pressão cada vez maior no sistema de saúde é proporcional à velocidade com a qual o vírus se espalha. Nesta sexta, o boletim estadual aponta que 72 municípios já têm registros de pessoas infectadas. E, dentro desse cenário, deve ser levada em conta a subnotificação, uma vez que não são testadas todas as pessoas que manifestam sintomas de síndromes gripais. Apenas estão sendo checados os casos que evoluem com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), os óbitos com características equivalentes às da Covid-19, os profissionais de saúde e seus contatos diretos.

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O secretário de Saúde do Estado, André Longo, em entrevistas recentes, estimou que o pico da curva epidemiológica em Pernambuco deve acontecer em meados de maio, mas vem frisando que isso vai depender do comportamento da população. Se respeitado o isolamento domiciliar pedido pelo Governo do Estado, há uma perspectiva de a velocidade de contágio ser mais cadenciada, dando margem para o sistema de saúde conseguir atender um maior número de pessoas. Caso contrário, haverá fila à espera de leitos e um cenário de catástrofe.

"Embora tenhamos até um isolamento reconhecido, sabemos que ainda é insuficiente para uma melhor neutralização da aceleração da epidemia. Precisávamos estar com isolamento acima dos 70% para estarmos com uma curva mais suave de crescimento. Agradecemos o esforço de quem tem ajudado e pedimos a compreensão da parcela destemida, que acredita ser uma gripezinha, e que pode ser surpreendida por uma situação desagradável”, disse o gestor, alertando que o caminho à frente é extenso.

“Estamos no início da aceleração epidêmica, que pode demorar entre 45 e 60 dias, a depender do comportamento de todos nós. Ainda vamos passar um tempo no platô, com confirmação de casos e óbitos expressivos, que podem ser maior ou maior de acordo com o isolamento social. E só depois virá a desaceleração."

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