Em greve, servidores fazem "cremação" do prefeito do Recife

Categoria reivindica reajuste salarial, plano de saúde e aumento do tíquete alimentação. Ato foi impedido de entrar no cemitério de Santo Amaro, no centro da cidade

Servidores do Recife fizeram enterro simbólico do prefeito do Recife, Geraldo Julio, em frente ao cemitério de Santo AmaroServidores do Recife fizeram enterro simbólico do prefeito do Recife, Geraldo Julio, em frente ao cemitério de Santo Amaro - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

Os servidores públicos municipais do Recife, que estão em greve desde a última quinta-feira (27), fizeram ato na manhã desta sexta-feira (28). O movimento começou em frente ao cemitério de Santo Amaro, área central da cidade, com a tentativa de fazer um enterro simbólico do prefeito Geraldo Julio, que foi impedido pela Guarda Municipal. O grupo, então, segue pelo bairro da Boa Vista, e promete queimar o caixão em frente à sede da Autarquia de Urbanização do Recife (URB).

A categoria reivindica reajustes salariais de 14% (para servidores que tiveram 5% de reajuste em 2016, com salários até R$ 1,7 mil) e 21% (para aqueles que tiverem reajuste zero ano); prefeitura oferece 2%, condicionado à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

"O prefeito apresenta zero de reajuste quando uma boa parte dos servidores está há 3 anos sem aumento. Não dá para medir o sofrimento dos trabalhadores. O que temos é 80% dos servidores sem plano de saúde, então reivindicamos a questão do Recife Saúde. Além disso, queremos reajuste do tíquete refeição, de R$ 15,50 para R$ 20, mas a prefeitura propôs apenas R$ 2 de aumento (para R$ 17,50), que foi rejeitado pela categoria", disse o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais do Recife (Sindsepre), Osmar Ricardo.

Um dos servidores presentes ao ato, Franklin Guimarães, 54, diz que participa para "denunciar a situação que existe hoje na prefeitura com relação ao servidores". "No meu caso, que trabalho em escola que trabalha com crianças especiais. É uma categoria nova, criada há três anos, e nunca teve um aumento salarial nesse tempo", diz. "A maioria das escolas não tem condições de acompanhar esses estudantes, muitas sequer têm água filtrada. Muitas têm falhas na estrutura e no sistema elétrico. Estamos aqui para denunciar esse desrespeito que existe com os funcionários, e com a população que deveria ser assistida pelos serviços".
LRF
Sobre a argumentação da gestão municipal, de que o reajuste não seria possível devido às regras da LRF. "Eles (a prefeitura) alegam que o limite está em 51,39% (da Receita Corrente Líquida) e, se derem aumento, vai para 53%. Mas defendemos que a reposição da inflação pode ser dada, sim, aos trabalhadores", diz Ricardo. Ainda segundo o presidente, o movimento grevista continuará até que "haja negociação razoável".
Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, municípios brasileiros só podem comprometer, no máximo, 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) com despesa de folha de pagamento. No entanto, as gestões municipais ficam sujeitas a penalidades se o gasto ultrapassar 51%. O limite de alerta e prudencial é de 49%.

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