Eleições

Em meio a disputa com o governo, Evo Morales anuncia candidatura à Presidência na Bolívia

Ex-presidente afirma que há uma tentativa de proibir o partido dele, o MAS, e até de "eliminá-lo fisicamente"; juristas e políticos discutem se Morales poderá mesmo se candidatar em 2025

Evo Morales quer voltar à presidência da BolíviaEvo Morales quer voltar à presidência da Bolívia - Foto: Martín Silva/ AFP

Presidente por três mandatos consecutivos, Evo Morales anunciou neste domigo (24) que vai se candidatar mais uma vez ao comando da Bolívia, no momento em que protagoniza uma disputa envolvendo seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS) e integrantes do governo, que hoje é liderado por Luis Arce, seu colega de sigla.

“Obrigados pelos ataques do governo, por seu plano para proibir o MAS-IPSP e nos defenestrar com processos políticos, incluindo nos eliminar fisicamente, decidimos aceitar os pedidos de nossa militância e de tantas irmãs e irmãos que participam das concentrações em todo o país para ser candidato à Presidência de nossa querida Bolívia”, escreveu Evo no X, a rede social anteriormente conhecida como Twitter.

O ex-presidente cita nominalmente o Ministério da Presidência e o Ministério de Governo, e os acusa de comandar uma campanha de difamação contra ele e seus aliados políticos, incluindo nas redes sociais.

"Nunca desistiremos, irmãs e irmãos! Unidos salvaremos novamente nossa amada Bolívia", concluiu.

Morales, afastado do cargo em 2019 em meio às contestadas eleições daquele ano, é o primeiro nome a anunciar publicamente a intenção de concorrer na votação marcada para 2025.

Contudo, as disputas internas no MAS, que incluem denúncias de corrupção e até de ligação com o tráfico de drogas trocadas entre dirigentes e ministros, devem causar muitas turbulências até a definição do nome do partido nas urnas.

No sábado, um dia antes do anúncio da candidatura, o vice-presidente David Choquehuanca, agora afastado de Morales, defendeu que o partido se una, e se disse cansado de "confrontos e divisão". Na mesma linha, o ministro de Obras Públicas, Serviços e Habitação, Edgar Montaño, acusou Morales de levar o partido "para a sepultura".

A disputa deve ficar evidente em um congresso do MAS marcado para a semana que vem, entre os dias 3 e 5 de outubro, quando serão debatidos temas com a formação de uma comissão para organizar as primárias de definição do candidato à Presidência, que devem acontecer entre dezembro e janeiro de 2024.

Além de Morales, há expectativa pela candidatura de Luis Arce, que disse não ter se decidido sobre um novo mandato. Aliados do ex-presidente também querem levar uma discussão sobre a expulsão de integrantes do governo, incluindo do próprio Arce, da sigla.

Por sinal, a candidatura de Morales corre o risco de ser definida nos tribunais. A atual Constituição boliviana aponta que o mandato presidencial é de cinco anos e que pode haver reeleição uma só vez de forma contínua. De acordo com o ministro da Justiça, Iván Lima (outro desafeto do ex-presidente), caberá ao Tribunal Constitucional decidir se apenas pode haver uma única reeleição ou, como interpreta Morales, se é permitido a um ex-chefe de Estado uma nova candidatura após o transcurso de apenas um mandato presidencial.

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