Em mensagem a funcionários, empresários declaram voto em Bolsonaro

Presidentes de empresas declararam voto no presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, em mensagens dirigidas a seus empregados nos últimos dias.

Jair Bolsonaro Jair Bolsonaro  - Foto: Reprodução/Facebook

"Meu voto é no Bolsonaro 17", escreveu, em negrito, o empresário Pedro Joanir Zonta, 67, fundador e presidente da rede de supermercados Condor, em uma carta dirigida a seus funcionários nesta terça-feira (2). "Ele não tem medo de dizer o que pensa; protege os princípios da família, da moral e dos bons costumes; luta contra o aborto e a sexualização infantil; é a favor da redução da maioridade penal e segue os valores cristãos", justifica.

Ao final da missiva, também em negrito, uma promessa: "Fica o meu compromisso, com você meu colaborador hoje, de que não haverá, de forma alguma, corte no 13º salário e nas férias dos colaboradores do grupo". A empresa, com sede no Paraná e que tem cerca de 12 mil colaboradores, não foi a única cujo presidente declarou voto no presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, em mensagens dirigidas a seus empregados nos últimos dias.

Assim também o fizeram Luciano Hang, dono da varejista Havan, e um terceiro empresário de Santa Catarina, cujo áudio dirigido aos funcionários ainda não teve a autenticidade confirmada.  As mensagens estão sob análise do MPT (Ministério Público do Trabalho) e MPF (Ministério Público Federal), que apuram coação de votos, uma violação trabalhista e eleitoral.

Em entrevista à reportagem, Zonta negou que tivesse qualquer intenção de coagir funcionários. "De forma nenhuma. Falei no que eu acredito, eu", disse. "E outra coisa, o voto é secreto. Não adianta eu pedir para eles. Acabou o tempo dos coronéis."
Segundo o empresário, sua intenção foi a de tranquilizar funcionários que temiam que, com a eleição de Bolsonaro, fossem revogados os direitos ao 13º salário e às férias -um receio motivado pelas declarações recentes do vice do candidato, Hamilton Mourão (PRTB), que foram refutadas pelo capitão reformado.

Na carta, Zonta prossegue e diz também os motivos pelos quais "não vota na esquerda", como o fim da família, a desestruturação das empresas brasileiras, o aumento da corrupção e o agravamento da crise econômica. "Em nenhum país a esquerda deu certo", diz o documento. "Eu não me coloquei como chefe; eu me coloquei como pessoa, como cidadão", disse Zonta à reportagem. Ele e outros membros da família são doadores de campanha de Bolsonaro -o empresário doou pessoalmente R$ 4.000. "Cada um fez aquilo que achava que deveria fazer; é uma doação aberta e registrada", afirmou.

A tentativa de coação também foi refutada por Hang, da Havan, que afirmou que "você pode dizer em que você acha que deve votar, mas nunca obrigar". Ele gravou vídeos em que afirma que a empresa fez levantamentos de intenção de voto entre seus funcionários, e diz que, a depender do resultado da eleição, pode deixar de abrir mais lojas.  "Você, que sonha em ser líder, gerente, crescer com a Havan, já imaginou que tudo isso pode acabar no dia 7 de outubro?", questiona Hang, na gravação.

O MPT de Santa Catarina, estado-sede da Havan, que tem 15 mil funcionários, recebeu 27 denúncias contra a varejista. A procuradora do trabalho Marcia Aliaga deve pedir uma liminar ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para impedir novas manifestações aos empregados.

Para a Procuradora Regional Eleitoral no Paraná, Eloisa Helena Machado, a prática abusa do "temor reverencial", um conceito do direito nas relações de trabalho.
"Quando o dono de uma grande empresa divulga a seus funcionários em quem irá votar e, ao mesmo tempo, pede 'que confiem em mim e nele para colocar o Brasil no rumo certo' [trecho da carta de Zonta], há clara ofensa ao direito de escolha desses empregados", afirma Machado.

O deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR), que apoia a campanha de Bolsonaro no Paraná, elogiou o posicionamento de Zonta.  "Parabéns ao grupo Condor e ao empresário Joanir Zonta pela coragem e senso patriótico em defesa do Brasil", escreveu, nas redes sociais.

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