Em Minas, petistas lançam pré-candidatura de Lula, preso, à Presidência

Mote da pré-campanha, "o Brasil feliz de novo", foi exibido em um vídeo de retrospectiva, com a trajetória de Lula desde a infância em Pernambuco até sua chegada à Presidência

Lula Lula  - Foto: Ricardo Stuckert

Sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva, preso há dois meses em Curitiba, o PT lançou a pré-candidatura do ex-presidente ao Planalto em Contagem (MG), na noite de sexta-feira (8).

Uma carta escrita por Lula foi lida ao final do evento pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em seu manifesto ao povo, ele diz que a essa candidatura é o compromisso de sua vida e representa a esperança -argumento que deu o tom das lideranças petistas que discursaram antes.

"É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República", escreveu Lula. Após a leitura, Dilma afirmou estar emocionada e não discursou.

O mote da pré-campanha, "o Brasil feliz de novo", foi exibido em um vídeo de retrospectiva, com a trajetória de Lula desde a infância em Pernambuco até sua chegada à Presidência. O vídeo continua com a eleição de Dilma e seu impeachment até chegar em 2018, quando exibe discursos de Lula como pré-candidato.

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"O povo quer, a lei permite, o Brasil precisa. Lula, o Brasil feliz de novo", diz o vídeo. Em seguida, o jingle da pré-campanha, divulgado na quinta (7), segue a mesma linha ao mencionar as crises do governo Michel Temer (MDB) e defender a liberdade do petista.

Em suas falas, os políticos petistas colaram a esperança de um Brasil sem crise à figura de Lula, afirmando que o país precisa do petista para recuperar o emprego, a credibilidade, a economia e a estabilidade institucional.

"Lula é o preferido do povo, é a única liderança capaz de conduzir o país à pacificação social", discursou a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR). "O povo não aceita retroceder. Com Lula, se parcelava carro e casa. Agora se parcela combustível e gás de cozinha", completou.

"O melhor remédio para o mercado é Lula", discursou o governador da Bahia, Rui Costa (PT), chamando de "bagunça" o momento atual do país. "O Brasil precisa se reencontrar, passar seriedade e credibilidade para o mundo."

Em sua fala, porém, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que a defesa de Lula não de deve só pelo fato de "ele ser o maior político vivo" do país. "Tem que defender o indivíduo, o homem, a honra de uma pessoa presa injustamente."

"Quem ainda tiver dúvidas, tire seu cavalinho da chuva. O PT vai ter candidato e é Lula", afirmou o senador Humberto Costa (PT-CE).

Segundo Gleisi afirmou em entrevista anterior ao evento, o partido irá registrar a candidatura de Lula em 15 de agosto, organizará sua campanha, pedindo autorização para entrevistas e gravações, e manter a candidatura mesmo se o registro for negado pela Justiça.

Multiplicado
Outra ideia difundida no evento foi a de que o Brasil tem milhões de Lulas, como o ex-presidente discursou antes de ser preso por corrupção e lavagem de dinheiro em 7 de abril. Máscaras com o rosto do petista foram distribuídas aos militantes.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, foi um dos que afirmou que o povo deve representar o petista enquanto ele estiver preso, inclusive fazendo campanha por ele. "Lula está aqui hoje, eu sinto a presença dele. Ele é um pouco de cada um de nós", disse.

Um buffet com salgadinhos, biscoitos e bebidas foi montado para os militantes.
A organização da segurança do evento ficou a cargo do gabinete militar do governador Pimentel. O ato teve ainda apresentação musical com Flávio Renegado, Aline Calixto e blocos de Carnaval de Belo Horizonte.

Contagem, na região metropolitana de BH, embora já tenha sido um reduto petista na administração de Marília Campos (2005 a 2012), hoje é gerida pelo tucano Alex de Freitas. O hotel escolhido foi o mesmo onde o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) lançou sua pré-candidatura ao governo de Minas.

Em fevereiro, o estado de Minas Gerais já havia sido escolhido pelo PT para a realização de um ato nacional em defesa da candidatura de Lula. Sem a presença de Dilma e Haddad, o petista deu tom de lançamento de pré-campanha ao evento: "Estou candidato", disse.

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