Em Pernambuco, 42 dos 87 pontos de abastecimento de água estão em situação crítica

Segundo especialistas, a esperança está em obras maiores, aliada a chegada das chuvas no primeiro trimestre de 2017

Dilsinho Gomes assume o cargo de secretário executivo de apoio aos municípiosDilsinho Gomes assume o cargo de secretário executivo de apoio aos municípios - Foto: Divulgação

 

Mais uma barragem atinge o quadro de colapso em Pernambuco. Desta vez, os moradores de Arcoverde, no Sertão, passarão a conviver com uma realidade de cinco dias com água e outros 23 com torneiras fechadas. O município dependia do reservatório Riacho do Pau, que passou a marcar menos de 1% de sua capacidade de 16,8 milhões de metros cúbicos. A situação preocupa. No Estado, 42 dos 87 pontos de abastecimento estão em situação crítica, atingindo mais de um milhão de pessoas.

Segundo especialistas, a esperança está em obras maiores, aliada a chegada das chuvas no primeiro trimestre de 2017. As previsões, no entanto, não apontam capacidade de suprir o vazio deixado pelo longo período de seca.

De acordo com a Compesa, o abastecimento de Arcoverde será feito somente pelos cinco poços da Bacia do Frutuoso, situada em Ibimirim. “A água captada nos poços será transportada por cerca de 70 quilômetros, até chegar à estação de tratamento. A última chuva que tivemos foi no mês de maio, mesmo assim ainda considerada fraca”, explicou o gerente Augusto Cesar Andrade. Conforme a companhia, Arcoverde é uma das sete cidades que serão beneficiadas com a Adutora do Moxotó, obra que já está com a primeira etapa em execução. Orçada em cerca de R$ 100 milhões, o condutor deve fornecer água para 325 mil pessoas em sete cidades, incluindo também Pesqueira, Alagoinha, Sanharó, Belo Jardim, Tacaimbó e São Bento do Una. A previsão de entrega é para 2018.

“Apesar da vulnerabilidade histórica à falta d’água nessas regiões, temos acompanhado uma queda que chama a atenção. Os reservatórios que ainda não secaram estão trabalhando com marcações bem abaixo da média”, explica o analista de Recursos Hídricos, Flávio Mendonça. Conforme levantamento, o volume acumulado de água para abastecimento do Sertão baixou de 211 milhões de metros cúbicos, em 2015, para 136 milhões m3 em 2016. Enquanto no Agreste, este mesmo comparativo decaiu de 163 milhões para 137 milhões m3. “Os camponeses já amargam o quinto ano consecutivo de seca, ainda sem expectativas de melhoria”, salientou.

 

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