Notícias

Em tensão com os EUA, China se defende em abertura da assembleia geral da OMS

O líder chinês, Xi Jinping, disse que "o tempo todo", a China agiu com "abertura, transparência e responsabilidade"

Dirigente chinês, Xi JinpingDirigente chinês, Xi Jinping - Foto: World Health Organization / AFP

Depois de semanas de acusações feitas principalmente pelos Estados Unidos sobre a resposta da China à pandemia do novo coronavírus, o dirigente chinês, Xi Jinping, defendeu, nesta segunda-feira (18), uma investigação liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a respeito das origens do vírus.

O presidente americano, Donald Trump, membros do alto escalão de seu governo e aliados dos EUA acusam a China, onde os primeiros casos da Covid-19 foram detectados, de omitir informações e ter perdido o controle sobre o avanço da doença. Em discurso transmitido por vídeo durante a assembleia anual da OMS em Genebra, na Suíça, Xi apoiou uma resolução enviada pela União Europeia que propõe uma avaliação da organização e de seu diretor geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Leia também:
Comunidade internacional defende vacina contra a Covid-19 para todos e reforma da OMS
Memorial online homenageia brasileiros mortos pela Covid-19

O líder chinês disse que a pandemia de Covid-19 é "a mais grave emergência mundial em saúde pública desde o final da Segunda Guerra Mundial" e que, "o tempo todo", a China agiu com "abertura, transparência e responsabilidade". Xi também usou sua fala na assembleia para defender a resposta de Pequim à pandemia. Ele anunciou uma doação de US$ 2 bilhões (R$ 11,6 bilhões) à ONU (Organização das Nações Unidas) e se ofereceu para ajudar a melhorar a infraestrutura de saúde em países da África.

Além disso, o dirigente chinês disse que quaisquer vacinas contra a Covid-19 produzidas em seu país serão consideradas um "bem público mundial e compartilhado". "Neste momento crítico, apoiar a OMS é apoiar a cooperação internacional e a batalha para salvar vidas", disse Xi. "A China assume como responsabilidade não apenas a vida e a saúde de seus cidadãos, mas também a saúde pública global."

Outros chefes de Estado, presidentes e ministros devem fazer seus pronunciamentos na assembleia geral da OMS até quarta-feira (20). No discurso de abertura, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticou os países que "ignoraram as recomendações" da OMS na resposta à pandemia do novo coronavírus e estimou que o mundo paga um "preço alto" por essas estratégias divergentes. "Vimos expressões de solidariedade, mas pouquíssima unidade em nossa resposta à Covid-19. Os países seguiram estratégias divergentes e todos pagamos um preço alto por isso."

O projeto de resolução enviado pela União Europeia, que pede uma avaliação da resposta internacional e da OMS à pandemia, será examinado durante a assembleia.
Sem mencionar Wuhan ou China, ele pediu à OMS que trabalhe com outras agências da ONU para "identificar a fonte zoonótica do vírus e a via de introdução à população humana, incluindo o possível papel dos hospedeiros intermediários". De acordo com a agência de notícias Reuters, que teve acesso ao documento, 116 dos 194 países-membros já manifestaram apoio ao projeto.

A tensão entre EUA e China continua sendo, entretanto, o tema que deve pautar, ainda que indiretamente, as próximas decisões da comunidade internacional na construção de uma resposta coordenada à pandemia. Trump, que encabeça as críticas à China, suspendeu, em abril, os pagamentos feitos à OMS, que representavam cerca de 15% do orçamento da organização.

Além disso, na semana passada, Trump ameaçou cortar relações com a China por causa da pandemia e disse que Pequim "nunca deveria ter deixado isso acontecer".
Esse foi o mais recente dos episódios da "guerra fria" que se estabeleceu entre as duas maiores economias do mundo desde que a pandemia se configurou na província chinesa de Hubei.

Entre conservadores americanos, a teoria prevalente é que o novo coronavírus poderia ser uma arma biológica em estudo que escapou de forma proposital ou não de um laboratório em Wuhan. A afirmação foi desmentida por um estudo científico internacional.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

Veja também

Pernambuco tem mais de 400 desabrigados após chuvas fortes, diz Codecipe
Chuvas

Pernambuco tem mais de 400 desabrigados após chuvas fortes, diz Codecipe

Autora de "Como matar seu marido" é declarada culpada pelo assassinato de cônjuge nos EUA
ESTADOS UNIDOS

Autora de "Como matar seu marido" é declarada culpada pelo assassinato de cônjuge nos EUA