Em velório, amigos lembram de Maria Alice por sua alegria carnavalesca

Artista plástica e fundadora do bloco carnavalesco Eu Acho É Pouco foi assassinada em casa no final da noite da última terça-feira

A artista plástica Maria Alice Soares dos Anjos, de 74 anos, uma das fundadores do bloco "Eu Acho é Pouco"A artista plástica Maria Alice Soares dos Anjos, de 74 anos, uma das fundadores do bloco "Eu Acho é Pouco" - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Apesar da tristeza, durante o velório de Maria Alice Soares dos Anjos o sentimento dos amigos é de gratidão e boas lembranças de tudo que viveram e aprenderam com a artista plástica. Também fundadora do bloco carnavalesco Eu Acho É Pouco, Maria Alice  foi assassinada em sua casa aos 74 anos, na Cidade Alta de Olinda, no final da noite dessa terça-feira (14). 

O velório acontece na tarde desta quarta (14) na Casa Batista, funerária localizada no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. Devido aos ferimentos profundos na cabeça da artista, o caixão foi mantido fechado durante a cerimônia. O corpo será levado, no início da noite, para Alagoas, estado natal de Maria Alice, onde será enterrado no Cemitério Parque das Flores, em Maceió.

“Ela é mais uma vítima dessa situação social que nós estamos vivendo e que tanto lutamos no passado. Daí o Eu Acho É Pouco ter, desde o nascimento, o sentimento de denúncia sobre o sistema”, disse Maria José Guerra Costa, amiga da artista.

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A memória de Maria Alice sempre estará ligada ao carnaval, disse Ivaldevan Calheiros, presidente do Eu Acho É Pouco, lembrando da amiga como alguém de força, um dos principais propulsores, e afirmou que sua memória dará força para o bloco continuar na rua. “Na casa dela, foi feita a escolha do nome, das cores [do bloco]. Ela agregava pessoas bastante na casa dela, tanto arquitetos quanto economistas e profissionais liberais. Era o ponto da gente se encontrar para tomar uma cervejinha, parar e ver os blocos passarem”, contou.

Apesar da memória leve, a indignação também esteve entre os presentes. “Estou simplesmente estarrecida, indignada com toda essa brutalidade, essa falta de segurança que nós vivemos. Nem na nossa casa a gente pode ficar sossegado”, desabafou Ana Magali Duques, enteada de Maria Alice, que mora em Olinda e viveu na mesma casa em que a madrasta foi morta.

O vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, lamentou pelo ocorrido: “Estamos todos chocados e, infelizmente, o que resta neste instante é render nossa homenagem e renovar nossa convicção de que quem fez o bem a vida inteira sobrevive sempre na memória da gente”.

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