Emaranhados de fios nas ruas do Recife estão com os dias contados

Problema que atinge toda a Cidade, excesso de cabos e fiação nas vias deve ser resolvido pelas prestadoras de serviço

No Bairro do Recife, grande quantidade de fios nos postes esconde beleza do casario históricoNo Bairro do Recife, grande quantidade de fios nos postes esconde beleza do casario histórico - Foto: Arthur de Souza

O emaranhado de fios nos postes da Capital pernambucana pode estar com os dias contados. A gestão municipal quer banir da paisagem do Recife os cabos e a fiação sem uso que atualmente ficam acumulados em excesso nos postes de iluminação. A decisão, aprovada pelo chefe do Poder Executivo municipal, Geraldo Julio, atinge as empresas que operam serviços de internet e telefonia, embora até hoje o município não tenha conseguido concluir o embutimento da rede aérea pelo subsolo, uma proposta aprovada em lei municipal, em 2014, mas que não teve grandes avanços. Enquanto isso, os fios pairam perigosamente sobre a cabeça das pessoas, além de poluir visualmente os vários bairros e ruas da Cidade.

Um dos poucos exemplos de fiação embutida na Capital é o da avenida Rio Branco, no Bairro do Recife. Porém, mais à frente, na rua Mariz e Barros, basta olhar para cima para ver o exagero de fios enrolados.

Trabalhando na reforma de um dos prédios históricos próximo ao poste, o mestre de obras Carlos Pereira, 42 anos, critica o descaso. “Em cidades do exterior a gente não vê isso. Os fios passam pelo subsolo ou estão embutidos. Chegou a um ponto que está muito feito. É tanto fio que esconde até a beleza dos prédios históricos. O Bairro do Recife deveria ser um cartão-postal da Cidade, mas não é tratado como tal”, criticou, ponderando: “Se o prefeito assinou uma medida para as empresas removerem esse excesso é porque ele está preocupado com essa poluição visual”, considerou Pereira.

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O problema da fiação faz parte do cenário urbanístico da Cidade como um todo. Mas, são nas comunidades e bairros mais periféricos, que a situação piora. “Tem muita gente aqui que faz ‘gatonet’ (fios clandestinos colocados por moradores para a venda de internet a baixo custo). Aí, se já é essa bagunça na fiação e a comunidade vem e piora, fica difícil, né? Fora que, vez ou outra, fica uns fios pendurados, quase se arrastando na cabeça da gente”, reclamou o autônomo José Pereira, 61, morador da rua Barros Barreto, no bairro de Santo Amaro (área central).

Paralela à rua Barros Barreto, na rua Francisco Jacinto, está a casa de Jean Michel Batista, 30. Bem em frente à janela de seu quarto, no primeiro andar da casa, há dez anos ele acorda diariamente e, em vez de olhar a paisagem, depara-se com o emaranhado de fios bem próximo a ele. “Basta eu esticar o braço para tocar nos fios. Dá muito medo de um choque e, pior, pipocar o poste por conta de um curto circuito. É legal a iniciativa de obrigar as empresas de telefonia a retirar o excesso, mas é preciso organizar a fiação elétrica também”, opinou.

Multa sem definição
O valor da multa, em caso de descumprimento pelas empresas de telefonia e serviços semelhantes, está sob análise pelo poder público. No município cearense de Cascavel, por exemplo, a prefeitura disponibiliza o telefone 156 para que as pessoas denunciem as irregularidades e, uma vez notificadas, as empresas têm o prazo de 30 dias para fazerem a remoção dos cabos ou da fiação aérea excedentes, sob pena de aplicação de multa diária de R$ 5 mil.

Procurada pela reportagem, até o fechamento desta edição a Prefeitura do Recife não deu retorno sobre um maior detalhamento da lei e nem sobre como será a fiscalização por parte do município.

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