Coronavírus

Embaixada da China defende CoronaVac e diz que vacinas do país estão entre as mais avançadas

Missão diplomática evitou polarizar com Bolsonaro, que falou em 'vacina chinesa de João Doria'

Governador João Doria e CoronaVacGovernador João Doria e CoronaVac - Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

No dia em que o presidente Jair Bolsonaro atacou o que chamou de "vacina chinesa de João Doria", a embaixada do país asiático em Brasília defendeu a parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac e disse que Pequim tem compromisso de transformar imunizações contra a Covid-19 em bem público global.

"A China cumprirá o seu compromisso de tornar as vacinas chinesas num bem público global depois de se concluírem as devidas pesquisas e aprovações. Vai fornecer com prioridade aos países em desenvolvimento e fazer contribuição chinesa para garantir a acessibilidade e disponibilidade de vacinas aos países em desenvolvimento", disse a missão diplomática em um comunicado.

A embaixada também declarou que os ensaios clínicos da CoronaVac -parceria entre a chinesa Sinovac e o Instituto Butantan- estão avançando no Brasil e que espera que os resultados sejam positivos. "Qualquer vacina, quando tiver sua segurança e eficácia comprovada, será valiosa para proteger as populações do mundo, incluindo a do Brasil".

"O desenvolvimento e pesquisa das vacinas chinesas contra a Covid-19 estão entre as mais avançadas do mundo, e quatro vacinas chinesas se encontram na terceira fase dos testes clínicos", afirmou a embaixada em nota.

A manifestação da embaixada da China evita polarizar com Bolsonaro, que se referiu mais cedo à imunização como "a vacina chinesa de João Doria", numa referência ao governador de São Paulo e seu adversário político.

Bolsonaro reagiu ao anúncio, feito pelo ministro Eduardo Pazuello (Saúde) na terça-feira (20), de um acordo com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac.

Na ocasião, Pazuello disse que "a vacina do Butantan será vacina do Brasil".

"O Butantan já é o grande fabricante de vacinas para o Ministério da Saúde, produz 75% das vacinas que nós compramos", acrescentou o ministro.

Bolsonaro desautorizou o chefe da Saúde na manhã desta quarta, usou a palavra traição para o caso e disse que o governo não comprará o que chamou de "vacina chinesa".

"Tudo será esclarecido hoje. Tenha certeza, não compraremos vacina chinesa. Bom dia", respondeu Bolsonaro nas redes sociais a uma simpatizante.

"Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", escreveu em outra mensagem nas redes sociais.

Em nota divulgada na terça, o Ministério da Saúde chegou a informar que, com a parceria com São Paulo, o Brasil teria 186 milhões de doses de vacinas a serem disponibilizadas ainda no primeiro semestre de 2021, a partir de janeiro.

O total considera as 46 milhões de doses do Butantan e Sinovac, além de contratos já existentes no governo para obter 140 milhões de doses -100 milhões da vacina da Universidade de Oxford e 40 milhões do mecanismo Covax Facility, liderado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Mas o ministério voltou atrás após o veto de Bolsonaro.

Citando uma interpretação equivocada da fala de Pazuello, a pasta negou compromisso para compra de vacinas com o governo de São Paulo ou seu governador e disse não ter "intenção de compra de vacinas chinesas".

Em seguida, no entanto, reafirmou ter um protocolo de intenções para compra de uma possível vacina brasileira com o Instituto Butantan, que é vinculado ao governo paulista.

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