Embate e expectativa

O País está sob impasse, mas poderia não estar se tivesse sido acionado um olhar microscópico para o que estava acontecendo em uma de suas bases logísticas: a insatisfação dos caminhoneiros.

Leusa Santos, editora-executiva da Folha de PernambucoLeusa Santos, editora-executiva da Folha de Pernambuco - Foto: Arthur de Souza/Arquivo Folha

O País está sob impasse, mas poderia não estar se tivesse sido acionado um olhar microscópico para o que estava acontecendo em uma de suas bases logísticas: a insatisfação dos caminhoneiros. Um cenário que foi se formando como uma bola de neve e teve suas raízes lá atrás, em 2016, quando o PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma de bens e serviços produzidos no país, caiu 3,6% em 2016, na esteira do resultado do ano anterior, que também foi péssimo: 3,8%. Era a pior recessão desde 1948, segundo o IBGE.

Vivemos as consequências desse reflexo. Apesar de a economia ter reagido em 2017, com uma alta de 1,07% do PIB após dois anos de retração, os efeitos não caminharam sob igual performance. Desemprego é o pior mal. Já atinge 13,7 milhões de pessoas. A atividade econômica sente esses efeitos nos seus vários setores, o que não é diferente no setor de transporte de cargas, cuja principal queixa é a política de preços da Petrobras, que não garante uma previsibilidade nos valores do diesel.

Ou seja, há uma bola de neve no ar. Combustível subindo, poder de compra da população reduzido, afetando vários setores produtivos e, no caso dos caminhoneiros, também de logística. O Governo Federal vai chamar empresários para depor e suspeita que essa greve dos seja uma prática de locaute - que é quando o empregador se articula para coordenar e promover a paralisação de seus empregados em função de interesses patronais. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que há indícios de que os patrões estejam explorando essa manifestação da categoria em prol de seus próprios interesses.

Do outro lado dessa trincheira há a população. Brasileiros que assistem sob expectativa essa negociação, na torcida para que tudo se resolva o mais rápido possível em prol da normalidade da vida cotidiana. População que, assim como os caminhoneiros, amarga a pesada carga tributária praticada no Brasil.

A reportagem especial sobre a atual situação desse movimento, que você lê em Mercado da Folha Mais deste fim de semana, traz as últimas ações do governo e dos caminhoneiros, que travam um embate aos olhos de um País em expectativa e a análise de especialistas sobre como chegamos a esse ponto. Antes de terminar a nossa conversa sobre esse assunto, também deixo aqui um drops para o que os analistas falam sobre um pensamento que está se disseminando nas redes sociais, o de que aqui é uma nova Venezuela. Felizmente, estamos longe disso. Saiba mais na nossa matéria.

Outro destaque desta edição da Folha Mais aborda um tema que preocupa acho que até mais do que esse nosso problema atual. Trata-se sobre qual a melhor forma de educar os nossos filhos. Desafiador, não é? Especialistas falam sobre um assunto que, sabemos, não há receita pronta, mas há caminhos. Caminhos que podem evitar problemas no futuro.

Boa leitura!

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