Veto

Empresa de comunicação do governo veta caso Beto Freitas em mídias sociais da Agência Brasil

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que não existe racismo no Brasil

Protestos na unidade do Carrefour onde Beto foi morto, no Rio Grande do SulProtestos na unidade do Carrefour onde Beto foi morto, no Rio Grande do Sul - Foto: Silvio Ávila / AFP

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O comando da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) ordenou que as redes sociais da Agência Brasil não publiquem conteúdos sobre o assassinato de João Alberto Freitas, conhecido como Beto Freitas. O homem negro foi espancado até a morte por dois seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. Laudo preliminar do Instituto-Geral de Perícias da capital gaúcha apontou asfixia como a causa mais provável da morte.

Profissionais da empresa de comunicação pública do governo federal foram orientados a ignorar o caso nas mídias sociais da agência. A determinação foi revelada pela revista Época e confirmada pela reportagem. A divulgação em redes sociais é uma forma de garantir maior visualização de um determinado conteúdo.

Procurada para comentar a orientação, a EBC não se manifestou até a publicação desta reportagem. Freitas foi assassinado em 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra. As circunstâncias da morte e a repercussão geraram uma onda de comoção e protestos contra racismo em diversas cidades do país.

O episódio teve amplo destaque em veículos de comunicação do país e esteve entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nos dias seguintes à morte de Freitas. No entanto, não houve menção ao caso Beto Freitas no Twitter e no Facebook da Agência Brasil. Vinculada à EBC, a agência produz conteúdos considerados de interesse público, que são distribuídos de forma gratuita.

A agência de notícias acompanhou o caso Beto Freitas e publicou em seu portal alguns textos sobre o assassinato.
Além de uma reportagem sobre a morte de Beto Freitas, a agência veiculou a reação da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) lamentando a morte.

Houve ainda a publicação de uma reportagem sobre investigações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo contra a empresa de segurança terceirizada que prestava serviços para o Carrefour. A agência também produziu um texto sobre pedido da alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, para que a morte fosse apurada.

Essas reportagens, no entanto, não ganharam espaço nas mídias sociais da agência. Movimentos em defesa da comunicação pública afirmam que desde 16 de novembro houve mudanças nas regras de postagens de conteúdos da Agência Brasil no Facebook e no Twitter.

Segundo a página Fica EBC, houve a diminuição no fluxo de postagens e temas de grande repercussão foram ignorados nas mídias sociais da agência. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não comentou a morte de Freitas. No entanto, no dia seguinte ao episódio, ele disse que o lugar de quem prega a discórdia é no lixo.

Bolsonaro afirmou que "aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história". "Quem prega isso está no lugar errado. Seu lugar é no lixo!", escreveu em redes sociais.

As autoridades do governo federal que lamentaram o assassinato não o vincularam com o racismo estrutural no Brasil.
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que não existe racismo no Brasil. "Não, para mim no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar, isso não existe aqui. Eu digo para você com toda tranquilidade, não tem racismo", afirmou o vice na ocasião. 

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