Empresas também têm culpa pela morte dos jornalistas

O plano de voo era uma lástima. A irresponsabilidade, grande.

Presidente da OAB Pernambuco, Ronnie Preuss DuartePresidente da OAB Pernambuco, Ronnie Preuss Duarte - Foto: Divulgação

A morte nos espreita. De perto. De longe. Uma dia ela chega. De mansinho, nos consumindo numa doença. Ou de repente. Numa queda de avião. Os torcedores choram as mortes dos atletas da Chapecoense no acidente aéreo em Medellin. Nós, da imprensa, também choramos as nossas perdas. Em tese, a empresa aérea LaMia e seu proprietário, o piloto Miguel Quiroga, são os culpados pelas perdas. Sim, são. O plano de voo era uma lástima. A irresponsabilidade, grande.

Mas a morte dos jornalistas, 20 no total, nos obriga a refletir, pois há outros culpados. Causa espanto assistir às reportagens dos canais de tevê sem ver nenhum questionamento a respeito dos demais responsáveis pelas mortes dos profissionais de comunicação que estavam naquele avião. Senão, vejamos:

O voo era fretado pela Chapecoense para levar sua delegação. O jogo estava marcado para Medellín. Por que havia tantos jornalistas naquele avião? É simples concluir que as empresas de comunicação apostaram na economia. Aceitaram "o convite" para cobrir a decisão, sem questionar se a viagem numa companhia aérea que possuía apenas um avião era segura.

Em meio à crise que se abate sobre os veículos de comunicação, a busca incessante por corte de custos é até natural. Mas o mercado da cobertura esportiva, dos canais fechados, não é tão ruim. O faturamento dessas empresas é alto, a publicidade de tevê é caríssima. Por que deixar que seus profissionais embarcassem naquele avião em vez de buscar um voo de carreira numa grande empresa do setor?

A comodidade do custo baixo falou mais alto. Não podemos eximir de culpa, também, os próprios jornalistas que, pela ânsia de cobrir um grande evento, fecham os olhos para esta questão tão delicada e pouco discutida - quem paga a conta pela viagem. Alguns até pedem para ser incluídos em delegações para essas viagens.

Essa omissão e esse silêncio das empresas certamente serão cobrados pelas famílias dos profissionais. Os jogadores estavam segurados pela CBF, mas os jornalistas estavam segurados por quem? O que irá acontecer com suas famílias, seus filhos? Já estamos há uma semana da tragédia e eu não ouvi nenhum dirigente de órgão de classe se pronunciar a respeito.

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