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Encerrada a demolição das edificações em Afogados; ponte foi liberada

A retirada dos entulhos será iniciada nesta sexta-feira (24) pela Emlurb, e o local vai sofrer interdições parciais durante as ações

Desabamento em AfogadosDesabamento em Afogados - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Nesta quinta-feira (23), dia seguinte ao desabamento de parte do imóvel localizado entre as ruas da Paz e Doutor Leônidas Cravo Gama, em Afogados, na Zona Oeste do Recife, os engenheiros da Defesa Civil fizeram uma vistoria no local e, por identificarem risco real de um novo acidente, optaram pela demolição do que restou da estrutura, incluindo a edificação adjacente ao prédio que ruiu. 

A derrubada ocorreu no final da tarde desta quinta-feira (23) e durou cerca de duas horas, terminando por volta das 18h, quando o trânsito começou a ser restabelecido, a partir da liberação da Ponte de Afogados. A remoção dos entulhos, contudo, deve durar cerca de três a quatro dias, e o local voltará a ser parcialmente interditado durante essas ações.

O desabamento aconteceu no início da noite de quarta-feira (22), deixando uma vítima fatal e outras 12 pessoas feridas, entre elas três crianças. Os sobreviventes, no entanto, estão fora de risco. Até o início da tarde desta quinta-feira, a Defesa Civil coordenou a entrada de moradores para a retirada de alguns pertences, enquanto técnicos do Instituto de Criminalista (IC) e da Divisão Especializada de Peritos Patrimoniais (DEPP) fizeram uma inspeção no local para apurar as causas do acidente.

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Segundo a gerente geral de engenheira da Defesa Civil, Elaine Hawson, a construção não seguia os critérios de uma obra de tal porte, sem os cálculos e pilares necessários para garantir segurança. “A estrutura não obedecia nenhum critério técnico, mas a causa do desabamento só poderá ser revelada depois das análises da perícia”, destacou Elaine. "É uma construção totalmente irregular, sem nenhum padrão construtivo. Foi feita sem nenhum método, sem acompanhamento de engenheiros. É perigosa e irresponsável. Houve falha construtiva", reforçou o perito da DEPP, Rafael da Mata.

O imóvel dotava de dois blocos. O que ruiu tinha menos de um ano de construção. No térreo, funcionava um ferro velho, enquanto no piso superior havia sete apartamentos estilo quitinete, com três cômodos. Cinco deles já estavam habitados e dois ainda em obras. O bloco mais antigo, com mais de cinco anos de construção, tinha nove apartamentos e, embaixo, uma oficina mecânica, que, segundo moradores, pertencia ao responsável pelo imóvel. De acordo com as vítimas, que evitam falar o nome dele, o mesmo esteve no local no dia do acidente, mas foi embora com pouco tempo e, desde então, ninguém mais conseguiu contatá-lo.

Confira entrevista com o presidente do Crea-PE

No início da tarde desta quinta-feira, o advogado Márcio Lima, acionado pela família do proprietário, foi ao encontro dos moradores, que cobraram auxílio para readquirir bens que foram perdidos, já que nem todos os móveis e eletrodomésticos puderam ser retirados. Segundo Lima, o locatário se prontificou a negociar formas de ajuda.

Segundo a Prefeitura do Recife e a Diretoria Executiva de Controle Urbano do Recife (Dircon), o imóvel que desabou já havia sido notificado tanto pela obra irregular, quanto pela ocupação irregular, ou seja, uma invasão.

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