Enem exige interação de disciplinas

Para ficar preparado para o Exame Nacional do Ensino Médio, os estudantes têm que se preparar para a interdisciplinaridade

Operação da Polícia CivilOperação da Polícia Civil - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Misturar conteúdo de Geografia, História e Literatura pode até soar estranho para quem estava acostumado com uma pedagogia mais antiga nas escolas, onde cada disciplina era vista separadamente. Mas o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exigiu mudanças. E é justamente assim, com os conteúdos relacionados, que os estudantes devem se preparar para o exame que é a porta de entrada para as universidades públicas em todo o País.

No Colégio Marista São Luís, a abordagem pedagógica é pensada por professores de até três disciplinas diferentes, que se reúnem para discutir, em sala de aula, um mesmo tema a partir de diferentes pontos de vistas. “A partir da temática decidimos quais componentes vão entrar nessa reflexão. No último ‘aulão’ do terceiro ano, que foi sobre grafitagem e pichação, entraram os componentes de Arte, Literatura, História e Sociologia”, explica a coordenadora do Ensino Médio Ana Cristina Santos.

Planejando prestar vestibular para Direito e Economia, o estudante Bruno Monteiro, 17 anos, acredita que a metodologia vai além do simples despejo de conhecimento. “Na aula sobre pichação, aprendemos sobre as artes rupestres, o que elas representavam, a evolução histórica do grafite até a função dele como arte. Não é mera regurgitação de conteúdo. Tem uma grande lacuna entre saber o assunto e aplicar no contexto”, argumenta.

O edital do Enem entende como eixos cognitivos os itens capazes de avaliar as habilidades do aluno em todas as áreas de conhecimento da prova. São cinco: dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas. Reunir áreas de conhecimento para analisar algum assunto se encaixa no eixo de compreensão de fenômenos.

É dentro disso que os estudantes do Marista São Luís estudam Geografia e História a partir da arte e constroem a apresentação da Festa do Folclore. O evento acontece há 41 anos e leva os alunos a pesquisarem sobre danças de diferentes culturas para preparar uma performance artística. “O evento tem caráter multicultural e percebemos que nós já tínhamos o projeto que o Enem aponta: ter uma vivência cultural, relacionar tempos e espaços”, conta Givaldo Tenório, coordenador da área de Arte do São Luís.

“Quando a gente fala de Festa de Folclore, é impossível não conectar com essa questão que o Enem pede tanto, que é leitura de mundo. E também um repertório cultural artístico para que ele possa interpretar melhor uma citação numa redação, por exemplo”, completa a professora Geysa Barlavento. Para a educadora, se o estudante tiver o conhecimento artístico, ele vai conseguir responder o exame mais fácil, já que o Enem traz questões envolvendo arte com física, matemática, línguas e ciências humanas.

Elementos de casa

Para o estudante Bruno Manta, 17 anos, a grande questão da prova é saber aplicar o que estudou na prática. “Por isso que muitas pessoas têm dificuldade quando houve a transição do tradicional para o Enem, porque é preciso estar mais preparado. Antigamente você só aprendia algo inútil e não sabia como aplicar na vida”. Um dos experimentos praticados pelo professor Rodrigo de Cunha envolveu o uso de protetor solar como bloqueador de raios de luz negra. “Pegamos um marcador de texto amarelo e um dos professores fez um desenho com marcador de texto amarelo. Então pegamos o protetor solar e passamos em alguns pontos do desenho. Onde tinha protetor, a gente não via a resposta da emissão de luz”, exemplifica.

As mudanças que o Enem trouxe representam desafios para os colégios, que precisam adaptar o estilo de ensino. “Tem uma coisa que é muito desafiadora, mas que para os próximos professores vai ser muito melhor. A gente aprendeu de um jeito, mas vai ter que passar de outro jeito. Os próximos professores de física já estão aprendendo diferente, pegando o conteúdo e aplicando na prática. Ele vai fazer uma coisa na cozinha e enxerga a química sendo aplicada”, avalia Gilberto Mesquita, professor de química.

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