Enem: segunda aplicação traz dengue e Aquarela do Brasil

Questões raciais são abordadas em algumas das questões da prova

Prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR), ficou em primeiro lugar geral entre as cidades com mais de 150 mil habitantes Prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR), ficou em primeiro lugar geral entre as cidades com mais de 150 mil habitantes  - Foto: Matheus Britto/ PJG

O primeiro dia da segunda aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano trouxe questões que abordaram duas canções populares, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Cidadão, de Zé Ramalho, além do problema da dengue. A prova aplicada neste sábado (3) incluiu ainda questões sobre meio ambiente e questão racial.

No caso da dengue, a questão cita uma pesquisa apresentada no Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro, em 2012, que propõe o uso de uma bactéria no próprio mosquito transmissor, o que impediria que a doença fosse transmitida para seres humanos. Os candidatos tinham que dizer qual conceito da biologia está envolvido no processo.

A famosa Aquarela do Brasil é citada em questão sobre o Estado Novo, sistema político implantado por Getúlio Vargas, que vigorou de 1937 a1945, período em que a canção foi composta (1939). Já a canção Cidadão, que fala de um homem que observa um edifício que ajudou a construir e é confundido com um ladrão, é usada em questão sobre trabalho, logo acima de um trecho de Manuscritos Econômico-Filosóficos, do sociólogo Karl Marx.

Questões raciais são abordadas em algumas das questões da prova. Uma delas é sobre leis que tratam da valorização da comunidade afro-brasileira e outra, sobre a função do movimento negro no Brasil. A terceira é sobre as convicções religiosas dos escravos na época do Brasil Colônia, período que abrange a chegada dos primeiros portugueses, em 1500, até 1822, ano da independência do país .

Meio ambiente e sustentabilidade aparecem em questão sobre notícia de que a Justiça de São Paulo decidiu multar supermercados que não fornecerem embalagens de papel ou material biodegradável.

Hoje (3), os estudantes tiveram quatro horas e 30 minutos para responder a 90 questões das áreas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias. As provas foram aplicadas em 165 municípios e 418 locais de prova. Não há exame apenas em quatro estados: Roraima, Acre, Amazonas e Amapá.

Estudantes
As opiniões dos estudantes sobre o primeiro dia de prova variaram: alguns acharam o exame fácil e outros, muito difícil. "Achei a prova normal, estava no nível do que é esperado no Enem. Algumas questões mais difíceis, mas na proporção esperada", disse Augusto Oliveira, aluno do 3º ano, que pretende usar o resultado do exame para cursar direito.

Para Aimê do Carmo, estudante do 3º ano, que pretende usar a provar para entrar no curso de comunicação social, a prova estava fácil. "Eu estava com medo, alguns colegas que fizeram a primeira aplicação disseram que havia questões impossíveis, mas achei bem tranquilo", afirmou. Tanto Aimê quanto Augusto fizeram o exame em uma universidade particular em Brasília.

Nas redes sociais, os estudantes postaram comentários após a prova. "Únicas coisas que caíram nessa prova do Enem foram as minhas lágrimas", disse uma usuária do Twitter. Outro afirmou: "Cheguei do Enem cansado de tanto chutar".

Houve quem decidiu entregar para o Divino: "esse Enem foi só D de Deus. Amém". Houve quem estava tão tranquilo que tirou até um cochilo. "Dormi na prova do Enem hoje", revelaram usuários também do Twitter. Outra candidata, confiante, questionou: "só eu que achei super de boa o Enem?".

Segunda aplicação
O Enem foi aplicado no início de novembro para 5,8 milhões de candidatos, mas 277.624 tiveram o exame adiado, o que custou aos cofres públicos um adicional de R$ 10,5 milhões.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do total de candidatos inscritos para a segunda aplicação, 273.521 (98,52%) não puderam participar do Enem regular por causa das ocupações em escolas, universidades e institutos federais, e 4.103 (1,47%) foram afetadas por contingências como a interrupção do fornecimento de energia elétrica.

As provas são diferentes daquelas aplicadas no início do mês de novembro, nos dias 5 e 6, mas mantêm nível de dificuldade similar, o que, de acordo com o Inep, garante a isonomia entre os candidatos.

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