Entidades e líderes de partidos fazem apelo à tolerância e à paz

Grupo pede que radicalismo presente nas eleições seja substituído pelo respeito às liberdades individuais e coletivas e à democracia

Ronnie Duarte, Sílvia Cordeiro, Luciano Bivar, Sileno Guedes

Ronnie Duarte, Sílvia Cordeiro, Luciano Bivar, Sileno Guedes - Foto: Folha de Pernambuco

A polarização política, resultado da disputa eleitoral, tem extrapolado os tradicionais ataques verbais entre os candidatos e suas militâncias, seja no mundo real ou no virtual. Nos últimos quatro dias, pelo menos três episódios envolvendo agressões físicas a pessoas - devido às suas posições políticas ou sexuais - acabaram virando caso de polícia na Capital pernambucana.

Na quinta (11) à noite, um estagiário da Folha de Pernambuco foi agredido no Bairro do Recife, por sua orientação sexual. No domingo à tarde, uma funcionária do Jornal do Commercio foi perseguida e ameaçada apenas pelo fato de ser jornalista. No mesmo dia, após a votação do primeiro turno, uma servidora pública da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) foi atacada e surrada por suas posições políticas. Diante desse cenário local - e de um clima ainda mais extremo nacionalmente, onde foram verificados 70 episódios nas últimas duas semanas, em 18 estados e no DF - representantes de diversas entidades da sociedade civil vêm fazendo um apelo ao respeito às escolhas individuais e ao exercício democrático. Um apelo à tolerância e à paz.

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O Subdefensor Geral de Pernambuco, Henrique Seixas, traduziu bem o clima que deve imperar em períodos em que o exercício da democracia deveria ser visto como uma oportunidade. "No regime democrático de direito em que estamos inseridos, sempre é salutar o incentivo ao debate de ideias, de projetos, e merece repreensão todo discurso de ódio e preconceito, evitando-se abalo às nossas bases republicanas. Assim sendo, toda e qualquer manifestação, sobretudo política, ou debate ideológico-partidário devem ter como base a dignidade da pessoa humana, não devendo caminhar para a incitação à discriminação, hostilidade e violência contra uma pessoa ou grupo", enfatiza.

Seixas ressalta que “a Defensoria Pública, conforme o Art. 134 da Constituição Federal, materializa-se como expressão e instrumento do regime democrático de direito, e estará sempre atenta à promoção dos direitos humanos, inclusive o combate ao racismo, à intolerância e à discriminação em qualquer nível”.

A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Pernambuco (OAB-PE), também pronunciou-se sobre a intolerância que vem permeando o cenário eleitoral recifense e brasileiro. "Infelizmente, a gente está vendo uma escalada não só no discurso de ódio. A gente está atingindo um outro patamar, agora com agressões físicas. Então, se os candidatos não se esforçarem para distensionar e trazer a discussão para um debate dentro da serenidade e da moderação, que se espera numa discussão de cunho político, se a gente não se centrar nas propostas e tomar cuidado com os termos empregados, eles também sofrerão as consequências disso, porque estão agravando a divisão do país. Ano que vem alguém vai ter que governar esse país e do jeito que está, no grau de intolerância e de fúria que as pessoas se apresentam", afirmou o presidente da OAB-PE, Ronnie Duarte, que na última segunda-feira já havia apresentado uma queixa-crime pelas mensagens de ódio contra os nordestinos postadas nas redes sociais.

Responsável pela Secretaria da Mulher, Sílvia Cordeiro também manifestou preocupação com os episódios registrados, especialmente os dirigidos às mulheres que têm sido as vítimas preferenciais dos ataques. "Esses episódios que a gente está vendo e estão se multiplicando país afora, tem muitas mulheres sendo vítimas desse tipo de intolerância. No caso de Paula Guerra (funcionária da Fundaj) foi uma mulher que agrediu a outra. E agrediu com a conivência de três homens. Isso não é uma violência doméstica, é um crime de ódio. A gente tem que dar o nome correto às coisas. É uma intolerância, você não poder ter uma opinião diferente da outra pessoa. E essa conjuntura é muito, muito complicada. As famílias estão de desentendendo, os amigos estão saindo dos grupos, ninguém está indo para os mesmo ambientes… Então, isso vai piorar e muito, quem quer que se eleja. É uma cultura aguda, de muita raiva, de muito rancor, de muita irracionalidade. É um momento muito sofrido... As pessoas têm que entender que a democracia faz bem às pessoas, ditadura faz mal às pessoas", desabafou Sílvia.

Partidos
Líderes partidários também vieram à tona externar sua perplexidade e fazer um apelo para que as militâncias, de um lado ou de outro, procurem se pautar pelos preceitos democráticos. "Mais do que nunca o Brasil precisa de pacificação. O exercício da democracia pressupõe o respeito as opiniões contrárias. Não podemos concordar que em nome de quem quer que seja a violência sobressaia", afirmou Sileno Guedes, presidente estadual do PSB, que é aliado de Fernando Haddad na disputa presidencial. Bruno Ribeiro, presidente estadual do PT, também pediu tolerância e lamentou o extremismo. "Isso não tem precedentes na história do Brasil. Tem no mundo, quando a intolerância é adotada como bandeira do discurso de um candidato. Eles não aceitam as ideias diferentes, as pessoas diferentes", registrou.

Presidente estadual do PSL, Luciano Bivar foi enfático ao fazer um apelo à paz. "O pleito tem que ocorrer com absoluta tranquilidade, dentro de um processo civilizado e democrático. Esse é o desejo de Bolsonaro e de todos nós do PSL, que queremos fazer um país com ordem e com progresso. Quem comete violência, por questões políticas ou não, deve ser penalizado na forma da lei. Nós não queremos eleitor que cometa crime nem violência. De jeito nenhum. Uma vitória desse jeito não condiz com o processo civilizatório", afirmou.

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