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SAÚDE

Entidades médicas pedem fim da expressão 'hímen virgem' e criticam testes de virgindade

Estudo publicado na revista Journal of Pediatric and Adolescent Gynecology, em fevereiro, sustenta a ideia de que o "hímen virgem" seja descartada, e seu uso seja evitado na documentação de abuso sexual

Muitos apontam que o 'teste de virgindade', praticado na Indonésia, é sexista, dolorosa e traumatizanteMuitos apontam que o 'teste de virgindade', praticado na Indonésia, é sexista, dolorosa e traumatizante - Foto: Freeppik

O público indonésio criticou duramente a polícia indonésia depois que a Human Rights Watch divulgou um relatório de que a polícia realizou “testes de virgindade” em candidatas no processo de recrutamento policial.

Muitos apontaram a injustiça da prática. Argumentam que ela é sexista, dolorosa e traumatizante. Apontam também que a virgindade é irrelevante para a capacidade ou não de um policial de cumprir seu dever policial. Mas poucos questionaram até agora o aspecto mais duvidoso dessa prática angustiante: a validade do teste em si.

Um artigo da FIGIJ (Federação Internacional de Ginecologia Infantil e Adolescente) e NASPAG (Sociedade Norte-Americana de Ginecologia Pediátrica e Adolescente), publicado na revista Journal of Pediatric and Adolescent Gynecology em fevereiro, sustenta a ideia de que o "hímen virgem" seja descartada, e seu uso seja evitado na documentação de abuso sexual.

Problema global
O teste de virgindade não é exclusivo da Indonésia. Em muitos países, mulheres são frequentemente obrigadas a se submeter ao teste por motivos que muitas vezes não têm nada a ver com seus interesses. Turquia, Egito, Marrocos e Iraque, para citar alguns, já tiveram sua parcela de testes de virgindade controversos.

Em um caso na Turquia, no início da década de 1990, uma estudante cometeu suicídio após passar por um teste de virgindade instruído pelo diretor de sua escola.

No Brasil, o CFM (Conselho Federal de Medicina) não vincula a ideia de virgindade à aparência do hímen.

Procedimentos de teste
O artigo também aborda os testes de virgindade, já que em diversas culturas e países, o hímen tem importância social, econômica e religiosa. "Isso leva à prática recorrente de testes de virgindade, tipicamente antes do casamento", diz o texto.

No estudo, a prática é considerada uma violação dos direitos humanos, e os autores sugerem que seja reconhecida como violência de gênero. Ainda apontam que os termos virgem e virgindade sejam retirados de relatórios oficiais e documentos.

A forma como o teste é realizado pode variar de um lugar para outro. Hoje, conhecemos o termo "teste dos dois dedos", realizado pela Polícia Nacional da Indonésia. Em algumas regiões do Iraque, o teste é visual. Uma mulher é considerada virgem quando não há nenhum sinal visível de "defeito" em seu hímen.

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