Entrevista: no Recife para lançar filme, Juliana Paes ainda está no clima de Bibi Perigosa

Conversamos com Juliana Paes, Marcelo Faria e o diretor do longa, Pedro Vasconcelos

Juliana esbanjou beleza e simpatia, além de rasgar elogios para Sonia BragaJuliana esbanjou beleza e simpatia, além de rasgar elogios para Sonia Braga - Foto: Arthur de Souza/FolhaPE

Os atores Juliana Paes (Dona Flor) e Marcelo Farias (Vadinho) estiveram juntos com Pedro Vasconcelos, diretor do filme "Dona Flor e seus dois maridos", no Recife, nesta quarta (25), para divulgar o longa que estreia no dia 2 de novembro nos cinemas. O filme tem ainda Leandro Hassum no papel de Dr.Teodoro. Com duração de cinco semanas, o filme foi rodado boa parte em Salvador, na Bahia. Confira o bate-papo com o trio:

 

A atriz chegando no hotel em Boa Viagem

A atriz chegando no hotel em Boa Viagem - Crédito: Arthur de Souza/FolhaPE

Marcelo Faria interpreta Vadinho o marido morto de Dona Flor, interpretado por Juliana Paes

Marcelo Faria interpreta Vadinho, o marido morto de Dona Flor, interpretada por Juliana Paes - Crédito: Arthur de Souza/FolhaPE

 

 

Juliana Paes:

SITE RJ - Fazer Gabriela e agora Dona Flor te deixou mais próxima da obra de Jorge Amado?

Juliana Paes - Quando menina, meu professor favorito, Márcio de Literatura, tinha uma predileção por Jorge Amado, então eu já tinha lido quase tudo e já conhecia. Quando fui convidada para fazer Gabriela (Minissérie global) pude ler de outra forma. E, para Dona Flor, fui tentar ver tudo que já havia sido feito, mas ai Pedrinho (diretor) pediu para que eu só lesse o livro e fizesse a minha Dona Flor. Fazer Jorge é um deleite para qualquer ator, são histórias recheadas de detalhes.

SITE RJ - Tem alguma coisa de Juliana Paes em Gabriela ou em Dona Flor?

Juliana Paes - Talvez haja muito mais de mim em Dona Flor. Toda mulher passa, já passou ou vai passar por momentos de angústias sobre exercer seu papel nessa sociedade. Se você fala palavrão, se coloca um vestido curto, se sai com vários caras, isso é tabu. Flor é universal, acredito que existam poucas mulheres que não se identificam com esse tipo de angustia. Essa história está muito ligada ao empoderamento.

SITE RJ - Sonia Braga já fez as duas personagens (Gabriela e Dona Flor). Você buscou assistir a interpretação da atriz para se inspirar?

Juliana Paes - Na época de Gabriela eu vi tudo dela, a gente se falou, se encontrou. Mas para Dona Flor não conseguimos conciliar a agenda, infelizmente, porque sempre que a gente se encontra é uma festa. Sou uma fã de Sonia Braga, muito antes de sonhar em ser atriz. É uma homenagem para essa mulher que sempre povoou a minha criatividade na hora de pensar em mulheres fortes, sensuais, donas de si. Você pensa em uma força da natureza, você pensa em Sonia.

SITE RJ - Você já conseguiu sair da Bibi Perigosa (personagem da novela "A Força do Querer")?

Juliana Paes - Tem uma coisa de corpo que ainda demora um pouco. Bibi tinha um gestual, um jeito um pouco mais do corpo de ficar sempre projetado, como se estivesse pronta para uma ação. Então, por vezes eu ainda me pego muito assim, é alto instintivo, que ainda está em mim, mas daqui a pouco sai.  

Marcelo Farias contou que contornou o fato de precisar ficar nú em boa parte do filme

Marcelo Farias contou que contornou o fato de precisar ficar nu em boa parte do filme - Crédito: Arthur de Souza/FolhaPE

 

 

Marcelo Faria:

SITE RJ - Você viveu Vadinho no teatro, agora nos cinemas e, ainda participou da produção do filme, como foi essa experiência?

MARCELO FARIA - Foi um trabalho longo. Começamos essa história em 2005. Em 2006 começamos a captação, e foi aí que entrei em dança de salão, me ajudou muito na preparação. Pedro (diretor) me orientou muito para ler o livro e entrar nesse universo. Todas as descrições possíveis, dele criança até virar o malandro, estão no livro. Reencontrei Ju (Juliana Paes) para passar as cenas, principalmente as delicadas, de amor, de brigas, tudo foi fluindo. E, foi a partir desse momento que eu deixei a produção executiva de fora e me dediquei aos ensaios. Não podia neste momento me preocupar ao cheque, ao orçamento, ou coisa assim. Me dediquei ao ator.

SITE RJ - Você ficou pelado no meio do Pelourinho. Foi difícil as cenas de nudez?

MARCELO FARIA - Praticamente passo 70% do filme pelado. Eu me voltei para o tempo de teatro. Eu passei quase cinco anos nu para a plateia, o que é mais difícil. Como a câmera tem lentes que se aproximam a gente, consegui me defender para não ficar o tempo todo expondo o nu frontal. Eu acho que principalmente o masculino atrapalha, quando exposto o tempo inteiro. Nós filmávamos muito cedo da manhã. Dormíamos 11h da manhã e acordávamos 6h da tarde. Era um horário trocado. E a cena do Pelourinho com Vadinho pelado aconteceu às 6h15 da manhã e não tinha muita gente na rua. Teve um ou outro que ficou olhando, mas para quem ficava para duas mil pessoas pelado, foi tranquilo.

O diretor do filme, Pedro Vasconcelos, que tem experência em TV e Cinema

O diretor do filme, Pedro Vasconcelos, que tem experiência em TV e Cinema - Crédito: Arthur de Souza/FolhaPE

 

Pedro Vasconcelos:

SITE RJ - Você chegou a trocar ideias com Bruno Barreto (diretor do primeiro filme "Dona Flor e seus dois maridos")? Como foi adaptar a história?

PEDRO VASCONCELOS - Não, de jeito nenhum. O roteiro foi de uma versão nossa do livro. O que estamos fazendo é uma nova leitora para que outras gerações que nunca tenham visto "Dona Flor e seus maridos" possam ter o prazer de assistir no cinema.

SITE RJ - A pernambucana Prazeres Barbosa está no elenco, como foi o convite?

PEDRO VASCONCELOS - Ela faz uma das amigas da mãe de Dona Flor. Prazeres é uma amiga minha do Rio de Janeiro. Ela fez algumas novelas comigo, a gente se gosta muito.

SITE RJ - Qual a maior diferença entre dirigir telenovela e dirigir cinema?

PEDRO VASCONCELOS - É diferente porque a linguagem é totalmente diferente. Na TV temos um ritmo pesado, você tem que fazer uma dinâmica com uma edição de imagens maior. O cinema os planos são mais trabalhados.

SITE RJ - Jorge Amado é baiano, nordestino. Como foi mergulhar na cultura nordestina, principalmente com as locações na Bahia?

PEDRO VASCONCELOS - O livro nos orientou muito. Embora esse, seja o que menos fala sobre as particularidades da Bahia, diferente de "Capitães de Areia". O mergulho nesse livro é na alma de um ser humano, de Dona Flor no caso. Tivemos a ajuda de muitos amigos baianos.
 

Veja também

Covid-19: Brasil passa das 210 mil mortes causadas pela pandemia
Boletim Pandemia

Covid-19: Brasil passa das 210 mil mortes causadas pela pandemia

Avião com vacina contra Covid-19 para Pernambuco aterrissa no Recife
COVID-19

Avião com vacina contra Covid-19 para Pernambuco aterrissa no Recife