Erem implementa um novo padrão

EREM Oliveira Lima, de São José do Egito, oferece atividades que vão além do currículo

A BailarinaA Bailarina - Foto: Divulgação

Quem chega à Escola de Referência em Ensino Médio Oliveira Lima, em São José do Egito, se depara com um cenário que não lembra em nada o que nos acostumamos a ver nas diversas matérias dos veículos de comunicação que abordam o descaso com que a educação pública brasileira é tratada. Uma das 335 unidades escolares de educação integral da rede pública estadual, o tradicional centro escolar da “Capital dos Repentistas” tem uma boa estrutura de salas, biblioteca, laboratórios e quadras esportivas, é limpa, não tem pichações nas paredes e todos os seus alunos usam farda.

Por sinal, “descaso” é uma palavra que parece não fazer parte do dia a dia da EREM Oliveira Lima. A preocupação em oferecer uma educação sólida, que garanta aos alunos não somente o aprendizado dos conteúdos, mas, sobretudo, dos valores que devem estar presentes em todo cidadão ou cidadã de bem, faz com que a unidade de São José do Egito adote um padrão disciplinar que não deixa nada a dever às escolas mais tradicionais. “A gente tem uma regrinhas aqui. Quem chegar atrasado só entra acompanhado dos pais. Se precisar sair antes da hora, também tem que estar acompanhado dos pais. É pra forçar a família a saber onde o aluno está. O horário da EREM é de tempo integral. Começa às 7h30 e vai até as 16h50. O aluno não pode escolher o horário em que ele quer estudar”, afirma o gestor da Oliveira Lima, Luiz Sérgio Almeida Castelo Branco.

A rigidez adotada pela escola tem toda uma lógica defendida pela diretoria e as normas não são definidas de forma unilateral. Todas são discutidas com a comunidade escolar – professores, pais e até mesmo os alunos – antes de serem estabelecidas. “A gente tenta criar uma rotina, para que todos se acostumem e que a escola tenha credibilidade. É um acordo de convivência para estimular essa questão. Todos os dias a gente canta o hino do Brasil, na entrada, dá os avisos e eles seguem para a sala. Até o ano passado, eles podiam usar o celular no recreio e na hora do almoço, mas não estavam cumprindo a regra e o conselho escolar, junto com a comunidade, decidiu que era melhor proibir”, conta Alda Renata da Costa Araújo, professora que faz a função de apoio pedagógico e é uma ex-aluna da Oliveira Lima. Mas, apesar das regras disciplinares, a Oliveira Lima é, acima de tudo, uma escola alegre. No final do primeiro semestre, quando nossa equipe esteve na escola, os alunos se preparavam para o Festival de Dança, que acontece todos os anos. Em diversos locais, como na quadra esportiva, no pátio ou até mesmo nos corredores, havia grupos de alunos ensaiando as coreografias que seriam apresentadas na noite seguinte. “Nossa escola é conhecida por ter alegria. Temos uma diversidade muito grande de atividades. A gente procura diversificar, inserindo essas práticas dentro das aulas, para que eles não fiquem o tempo todo sentados durante nove aulas. É um diferencial muito importante”, explica Castelo.

Como em toda EREM, há uma significativa gama de atividades extracurriculares oferecidas aos alunos. Faz parte da filosofia adotada nessas escolas, da educação transdimensional, onde o trabalho é para formar não apenas o aluno, mas o cidadão. Além da dança, a Oliveira Lima também promove práticas literárias, realiza um trabalho premiado no debate sobre as questões de gênero, tem projetos sobre empreendedorismo e é forte nos esportes – o xadrez é tratado como disciplina. “Um professor nosso foi quem introduziu o badminton aqui na região. E pra onde você olha tem gente com um tabuleiro de xadrez”, diz, orgulhoso, o diretor Castelo.

A possibilidade de ofertar um número tão grande de atividades só é possível graças ao principal diferencial apresentado pelas EREM. O tempo dentro da escola, que amplia o convívio entre alunos e professores e cria uma relação sólida entre todos. Algo que, inevitavelmente, gera o comprometimento entre todas as partes para que o desempenho global seja satisfatório. “É um apego. Além dos dois turnos regulares, eles criam essa questão de estar no espaço da escola, desenvolvendo qualquer atividade. Inclusive no turno da noite”, relata Alda. “O professor está sempre na escola, mas não está só por estar. Ele está para contribuir, para dizer ao estudante que ele está à disposição dele para o que precisar”, garante Castelo. Na Oliveira Lima, todos os 15 professores são efetivos e têm, no mínimo, uma especialização. E não há profissionais “tapando o buraco” em uma área na qual eles não são formados.

O resultado dessa transformação, vivida pela Oliveira Lima desde 2009, quando se tornou uma EREM, é a melhora no desempenho da escola, que hoje está entre as 20 primeiras do estado e tem uma nota – 5,46 – muito superior às médias estadual (3,75) e nacional (3,40) do Ensino Médio. Um resultado que se reflete no número de alunos que, hoje, conseguem ingressar no Ensino Superior. “Sempre evoluímos, temos boa aprovação nos vestibulares. No ano passado, foram mais de 80 aprovados. Tem alunos de Engenharia, de Medicina. Há dez anos, ninguém falava nisso. Foi uma mudança radical”, explica o Castelo, que é gestor da Oliveira Lima há quatro anos.

FOLHA RESUME
As Escolas de Referência em Ensino Médio (EREM) inauguram um novo padrão de qualidade na educação de Pernambuco. Essas unidades, que funcionam no modelo de tempo integral, permitem uma maior convivência entre alunos e professores e geram um maior comprometimento na busca por um melhor desempenho global. O sucesso das EREM tem feito com que alunos de escolas particulares procurem vagas na rede pública estadual.

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