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Erudito e popular celebram o forró no Dona Lindu

Festival São João Sinfônico leva ao palco do Teatro Luiz Mendonça, sanfonas, violinos, oboés e zabumbas nesta sexta (31) e sábado (1º) em celebração ao ritmo nordestino

Silvério Pessoa exalta Jackson do Pandeiro no festivalSilvério Pessoa exalta Jackson do Pandeiro no festival - Foto: Divulgação

Oboés, fagotes e violino se misturam a sanfonas, triângulos e zabumbas para exaltar a cultura nordestina no Festival São João Sinfônico, apresentado nesta sexta-feira (31) e sábado (1º) no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.

O espetáculo, sob a batuta do maestro José Renato Accioly, da Orquestra de Câmara de Pernambuco (OCPE), pretende fundir sonoridades eruditas e populares em um mesmo palco tomado pela musicalidade e poesia de Maciel Melo e Silvério Pessoa e pela "sanfonada" de Beto Hortis e Júlio César Mendes.

"O desafio é trazer o sinfônico para as canções juninas, aproximando os dois universos com melodias, harmonias e a beleza da poesia da época com uma roupagem sinfônica", ressaltou Accioly, em conversa com a Folha de Pernambuco. 


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Originado do Conservatório Pernambucano de Música (CPM), o projeto, com incentivo do Funcultura, chega ao Luiz Mendonça com o intuito de consolidar-se no calendário junino local. "Queremos o festival como referência, abrindo o período com representantes da nossa cultura. É um pontapé genuíno para ampliar o São João com sonoridades diversas", complementa o maestro.

O festival terá ingressos a partir de R$ 20 (meia-entrada), à venda na loja Passa Disco e pelo Sympla. O evento também promoverá concertos-aula às 16h (sexta-feira, 31, e sábado, 1º), com acesso gratuito e bilhetes distribuídos uma hora antes no teatro.

Na primeira noite de apresentação o cantor e compositor pernambucano Maciel Melo será solista, acompanhado pelas sanfonas de Beto Hortis e Júlio César. "Elas (as sanfonas) ficarão à frente da orquestra. Sobre o Maciel, não dá para falar de São João sem pensar nele", enfatizou Accioly que neste sábado (1º) receberá Silvério Pessoa para celebrar o centenário de Jackson do Pandeiro.

"Foi gratificante a aceitação do convite pelos músicos, convidados pela importância do trabalho na inserção da música e da poesia que produzem e pelo zelo que todos têm pela cultura nordestina", enfatizou Accioly. Sérgio Campelo (SaGrama) integra a programação com arranjos de clássicos de Gonzaga e de Jackson, a exemplo de "A Volta da Asa Branca" e "Paraíba Masculina". O Quarteto de Clarinetes Sopros de Pernambuco e o Grupo Instrumental Brasil (GIB) completam a festa.

Forró de resistência
Aos fãs do forró legitimado pelo xote, baião e xaxado, o Luiz Mendonça será espaço de resistência do gênero. Mesmo com o hibridismo dos mais de 30 instrumentos da OCPE, a "pegada" do dois pra lá, dois pra cá está garantida, porque é a isso que o projeto se propõe, exaltar (e preservar) a cultura pernambucana.

Assim como os convidados que partilham do mesmo ideal, como o cantor e compositor Silvério Pessoa que levará, ao palco, a obra de Jackson do Pandeiro, que - em agosto - completaria 100 anos de vida (1919-1982). "A música instrumental continua fértil, gerando momentos inesperados. A sonoridade sinfônica é uma forma de resistir a estereótipos em nome do forró", ressaltou ele.

Com o seu "Cabeça Feita" (2015) Silvério é referência pernambucana para cantar e contar sobre o artista paraibano, dono de um legado de compassos ritmados pelo pandeiro. "A obra dele possibilitou arranjos eruditos, que comprovam sua versatilidade. Teremos um momento singular para reverenciar Jackson, que deu um passo à frente ao forró, redimensionou o gênero", concluiu.

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