Escolas de Orobó e Flores garantem melhores notas de Língua Portuguesa e Matemática

Resultados das provas do Saepe servem como parâmetro para que a SEE e as GRE realizem os trabalhos de acompanhamento e intervenção em cada escola

Ministério Público de Pernambuco (MPPE) convoca população olindense para audiência públicaMinistério Público de Pernambuco (MPPE) convoca população olindense para audiência pública - Foto: Reprodução/MPPE

Todos os anos, a rede estadual de ensino promove as provas do Saepe, o Sistema de Avaliação da Educação de Pernambuco. Os resultados de 2015, que servem como parâmetro para que a Secretaria de Educação do Estado (SEE) e as Gerências Regionais de Educação (GRE) realizem os trabalhos de acompanhamento e intervenção em cada escola, comprovam que a diversidade é, hoje, uma grande marca na educação pernambucana. Os melhores resultados do Ensino Médio, nas provas de Língua Portuguesa e Matemática, foram alcançados por escolas do interior, de cidades de pequeno porte.

É de Orobó, no Vale do Capibaribe, município com menos de 25 mil habitantes, que vem a escola campeã no Saepe 2015. A Escola de Referência em Ensino Médio Abílio de Souza Barbosa desbancou todas as outras a partir de um trabalho focado na interdisciplinaridade. Que vem desde antes da escola adotar a educação em tempo integral e que já se tornou referência no estado. “Antes mesmo de passar para escola de referência, já éramos referência em nível regional e até mesmo de Pernambuco. Já tínhamos um nível de resultados muito bom”, garante a gestora da Abílio, Maria Lúcia Duarte de Oliveira. 

A escola de Orobó segue à risca as diretrizes da política educacional do Estado, investindo forte na formação continuada dos professores, com foco especial no trabalho com os descritores, na realização de diversos projetos pedagógicos e no fortalecimento das relações entre professores e alunos, aproveitando da melhor forma possível o tempo maior que a educação em tempo integral proporciona.

“A escola, hoje, tem uma credibilidade muito maior em relação à comunidade. Depois que a gente passou a ser de referência, de passar o dia todo com os alunos e os resultados melhorarem, tem aumentado muito a confiança. Isso vem, também, pela conversa constante que temos com a comunidade. Um trabalho de formiguinha, diário e continuado”, avalia a coordenadora pedagógica da Abílio, Marisa Barreto Limeira.

O trabalho que tem feito a diferença em favor da Abílio nas avaliações externas acaba de deixar de ser um “segredo” para ser usado, inicialmente, na GRE Vale do Capibaribe, mas com a possibilidade de passar para toda a rede. É um método para trabalhar com os indicadores do Saepe nas diversas áreas do ensino, elaborado pela professor de Português, Jaqueline Santos.

“A gente quer o aluno bem, mas não adianta se não tiver esse trabalho com o professor também. Trabalhando esses itens a gente consegue melhorar o desempenho dos alunos na questão da leitura. Aí elaboramos uma situação didática, de formar o professor primeiro, para depois chegar aos alunos, ajudando nas outras disciplinas”, explica Jaqueline.

Regular
Se a Abílio de Souza Barbosa, de Orobó, dispõe dos diferenciais que a educação integral garante às EREM, o desempenho da Escola Dario Gomes de Lima, no Sertão do Pajeú, pode ser considerado ainda mais surpreendente. Localizada no distrito de Fátima, no município de Flores, a escola atende aos cerca de 5 mil habitantes de uma localidade que sequer possui uma estrada de acesso asfaltada – é preciso percorrer 6 km em uma estrada de terra para chegar até lá. É uma unidade regular, mas é justamente por tentar proporcionar aos alunos o maior tempo possível dentro do ambiente escolar, que a Dario Gomes tem obtido boas notas no Saepe.

É no contra-turno que os alunos têm a oportunidade de fazer aulas de reforço, como preparação para as avaliações, de fazer aulas de computação ou mesmo de reforçar a relação com a escola. Tudo isso graças à compreensão e à ajuda das famílias de Fátima. “Só dá certo porque a escola tem essa ajuda da família, da comunidade em si. Até mesmo de quem não tem filho e vem ajudar a escola. Aqui a escola é de zona rural e tem muitos alunos que moram nos sítios. Os pais alugam mototáxis pra trazer esses alunos. Eles passam o dia na escola, damos almoço a eles e, durante a tarde, temos gru­pos de estudo”, explica a gestora Ana Lúcia Xavier Cavalcanti.

A escola foi construída no início do primeiro Governo Eduardo Campos e possui uma ótima estrutura. Antes, as aulas eram divididas em cinco anexos distribuídos pelo distrito, em locais que não eram muito apropriados para receber os estudantes. Hoje, é uma espécie de oásis dentro da localidade. “Eles falam que têm orgulho de uma comunidade como essa ter uma escola que é modelo. Tanto nos resultados quanto na estrutura do prédio. Eles têm orgulho do tratamento que os professores e funcionários dão aos filhos deles. Eles percebem que a gente quer o bem dos meninos”, observa Ana.

O poder da transformação
Dos 24 integrantes da equipe pedagógica da Escola Dario Gomes de Lima, cinco são professores originários de Fátima, distrito de cerca de cinco mil habitantes, onde a unidade escolar está localizada. Um deles é o professor de Matemática, Leandro de Lima. Enquanto passa o seu conhecimento aos alunos na sala de aula ou no laboratório de matemática, Leandro influencia diretamente na transformação do local onde sempre viveu.

“É muito satisfatório pra gente, porque uma comunidade relativamente pobre, simples, que a gente está conseguindo desenvolver um trabalho bom com eles. O pessoal aqui é muito engajado. Professor, gestão, alunos, a família na escola. Se não houver o envolvimento de todas essas partes, não tem como a gente conseguir um bom resultado. Aqui tem esse clima e essa disposição”, garante Leandro.

O professor garante que os resultados alcançados nas provas do Saepe não são um caso isolado na Dario Go­­mes. Ele diz que os alunos já captaram a importância de se dedicar na escola e de utilizar a educação como uma ferramenta para mudar a vida deles.

“Desde as aulas regulares aos aulões que trabalhamos com eles no contra-turno, principalmente o Ensino Médio. A gente tem visto um melhor desempenho deles não só na avaliação externa, mas nas aulas, nas provas, nos trabalhos”, atesta.

O resultado maior é ver que uma comunidade encravada no Sertão do estado começa a se modificar a partir do trabalho desenvolvido na escola. “Sempre digo, nas salas de aula, que tem muita gente que acha que Fátima é um buraco. E que eles têm que se destacar, mostrar o potencial e a capacidade deles. Hoje nós temos alunos daqui fazendo Medicina. Digo que eles têm a mesma capacidade que os alunos de qualquer lugar”, afirma a gestora Ana Lúcia.

EREM é referência na região
Localizada na fronteira com a Paraíba, Orobó é uma cidade que reflete bem o atual momento da educação públi­­­ca estadual, que após os avanços anotados nos últimos dez anos, figura não apenas como a de melhor resultado no último Ideb (Índice da Educação Básica), mas como a maior rede estadual de educação integral do Brasil. Se, há alguns anos, muitos alunos de Orobó cruzavam a fronteira para buscar melhores condições de ensino nas escolas paraibanas, hoje o cenário de alterou.

“Antes, a Paraíba tinha livro e a gente não tinha. Hoje é o contrário. Tem muita coisa que a gente tem e que o outro estado não tem. Aula em dois períodos, robótica, o Programa Ganhe o Mundo, a nossa banda marcial é muito concorrida”, enumera a gestora Maria Lúcia.

A própria transformação vivida pela escola, que passou de regular a EREM, também provocou algumas mudanças. Hoje, a Abílio é procurada por alunos oriundos de escolas particulares e de diversos municípios vizinhos. “Antes, nós éramos vistos como uma escola que só recebia os alunos da zona rural. Hoje em dia mudou muito. A gente recebe muita gente que vem de escolas particulares. Inclusive de outros municípios, como Casinhas, Bom Jardim, Machados e até de Natuba e Umbuzeiro, na Paraíba. Há cerca de 70 alunos dessas cidades vizinhas em nossa escola”, afirma.

Essa relação de proximidade com a Paraíba também é fortalecida na hora em que os alunos da Abílio deixam a escola em busca de um curso superior, situação que tem aumentado a cada ano. “Não era muito comum ver alunos de Orobó nas universidades.

Ano passado fomos a única escola que teve mais de cem alunos participando do Enem. Tem aluno que já passou em seis universidades. Colocamos uma média e 40 alunos em universidades. Essa proxi­­­­midade com o outro estado faz com que eles oscilem mui­­­to na busca por uma vaga en­­­tre as universidades de Pernam­­­­­buco e da Paraíba”, obser­­­­­­­va a coordenadora pedagógica, Marisa Barreto Limeira. 

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