Escolas privadas de Pernambuco retornam às atividades, mas de forma remota

Após a antecipação das férias de julho para o mês de abril, as escolas voltaram às aulas nesta segunda-feira (4)

Maria Clara, aluna do 3º ano do Ensino Fundamental, no retorno às aulas Maria Clara, aluna do 3º ano do Ensino Fundamental, no retorno às aulas  - Foto: Cortesia

Após o fim das férias, tradicionalmente gozadas em julho e antecipadas para o mês de abril por conta da pandemia do novo coronavírus, cerca de 400 mil alunos, de 2.400 escolas particulares de Pernambuco, retomaram as atividades escolares nesta segunda-feira (4) de forma remota, já que as aulas presenciais, que foram interrompidas no dia 18 de março, seguem suspensas até o dia 31 de maio, conforme determinação estadual.

O processo tem sido realizado por meio de plataformas e aplicativos, como skype, google classroom, zoom, entre outros. Segundo Francisco Ferreira, coordenador executivo do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Pernambuco (Sinepe), as instituições estão seguindo as diretrizes dos conselhos estadual e federal de educação. “Nossa atuação foi de orientar esses estabelecimentos a cumprirem com as exigências impostas pelo conselho de Educação de Pernambuco bem como com as normas do Conselho Nacional de Educação (CNE)”, afirmou. Ainda de acordo com Ferreira, não houve resistência por parte das escolas, que tiveram que apresentar um plano de atividades para serem desenvolvidas durante o mês de maio.

De acordo com o Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro-PE), a volta às aulas vinha sendo discutida desde o início da pandemia, quando as atividades foram suspensas, sempre buscando seguir as diretrizes para conseguir cumprir com o plano pedagógico. “Havia a necessidade de retomar as atividades para não correr o risco de perder o ano letivo”, informou o Sinpro. “Além da preocupação com o calendário escolar, o sindicato tem se mostrado atento ao cumprimento do isolamento nesse retorno, que deve priorizar as atividades no formato home office”, explicou. O sindicato dos professores também segue monitorando as atividades, recebendo e realizando denúncias, para que não haja o descumprimento das recomendações de aglomeração e para não expor o professor ao risco de contaminação.

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Maria Eduarda Gonçalves, professora de Português e Redação, dos ensinos Fundamental e Médio, do Colégio DOM, em Olinda, contou que a primeira experiência com as aulas virtuais foi bastante positiva, mas que antes de partir para a prática, precisou se inteirar das plataformas que seriam utilizadas. “Os principais desafios desse período foram aprender a usar as ferramentas que temos disponíveis, mas principalmente conseguir adaptar os conteúdos para passá-los da melhor forma por esses meios. Assim como eu, grande parte dos professores utilizou um período do recesso para aprender sobre as ferramentas e saber dominá-las no período das aulas”, disse.

Ainda segundo Maria Eduarda, dos 90 alunos com os quais ela ministrou aula, apenas três faltaram. “Para o primeiro dia, foi muito positivo. Os alunos tiveram rápida familiarização com a plataforma e seguiram bem as recomendações que nós passamos”, relatou. “Realizamos uma chamada virtual e mantemos o contato com os pais para questionar a ausência dos alunos”, complementou. Ela explicou também que a frequência das aulas virtuais está sendo flexibilizada. “Mesmo que um aluno perca a aula no momento real, ele ainda terá o conteúdo à sua disposição. E a presença dele poderá ser contabilizada por meio da realização das atividades, já que a escola tem acesso a quem visualizou o conteúdo e quem entregou as tarefas”, finalizou.

Quem também se mostrou satisfeito com o primeiro dia de aulas on line foi Fábio Freitas, empresário e pai de Maria Clara, aluna do 3º ano do Ensino Fundamental da escola. De acordo com Fábio, a filha conseguiu aprender e desenvolver bem neste primeiro contato com a novidade. “Deixamos tudo pronto desde ontem para não correr o risco de dar algo errado em cima da hora. Ela estava bem animada e não sentiu dificuldades no momento da aula. A única coisa que se queixou foi que acabou rápido”, brincou Fábio.

De acordo com o diretor pedagógico do Colégio DOM, Arnaldo Mendonça, as aulas estão ocorrendo das 7h às 11h, com cinco minutos de intervalo entre cada aula. “Cada aula tem 30 minutos de duração, que é o tempo que conseguimos manter a atenção do aluno”, esclareceu. Arnaldo também contou que a dinâmica das aulas é acessível para todas as crianças, mas que às segundas, quartas e sextas-feiras, o horário das 11h até as 11h30 é exclusivamente dedicado para crianças com necessidades especiais. “Reservamos esse momento para que a criança, e também os pais, possam minimizar quaisquer dificuldades que possam surgir nesse processo. Também está à disposição dos pais e dos alunos toda a nossa equipe pedagógica e psicólogas disponíveis”, concluiu.

Já para Elãine Aquino, Diretora de Vendas e mãe de Letícia Aquino, 13, aluna do 8º ano, o fato de a filha já ter uma rotina diária de atividades e um lugar específico para estudar contribuiu muito. Além disso, a escola de Letícia, que fica no município do Paulsita, já vinha realizando o acompanhamento pedagógico e mantendo contato com os pais desde o início da quarentena. "Fomos informados pelo WhatsApp, por meio de vídeos explicativos e mensagens que explicaram o procedimento ideal para que os alunos pudessem ter um bom rendimento. Também explicaram como acessar plataforma, como o aluno deve organizar seus materiais, os horários, como aluno devese vestir para que se sinta o mais próximo do ambiente escolar, entre outras coisas", relatou.

Atenção especial para crianças autistas
Sem frequentar a escola, todas as crianças perdem um pouco sem a troca de conhecimento através da interação com outros grupos, e essa troca fica muito sob responsabilidade da família. Segundo Victor Eustáquio, neurocientista e sócio-fundador do Instituto Somar – referência no tratamento do espectro autista – o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, que pode apresentar alguns desvios significativos na comunicação, na interação social, nos interesses obsessivos e em comportamentos repetitivos. De acordo com o especialista, nesse momento de afastamento é preciso explorar a memória reflexiva, mantendo o contato da criança com os demais colegas e professores. Além disso, a criança autista é muito apegada à rotina. Por isso, manter um local e um horário específico para dedicar aos estudos pode ajudar no processo. “A rotina gera a previsibilidade, criando uma zona de conforto. Quando a criança sabe o que vai acontecer, ele costuma reagir bem. Caso não haja uma rotina, ela pode se confundir e reagir com um comportamento negativo, o que vai exigir interpretação por parte dos pais ou responsáveis, dificultando um pouco o processo de aprendizagem”. Victor também reforça a importância de os pais se fazerem presentes nesse momento. “Normalmente, por trabalharem muito, os pais delegam a função educacional para a escola, tios, babás, avós. Nesse momento, em que o contato entre pais e filhos está maior, é preciso que os pais se inteirem sobre o que o filho precisa e participe ativamente, auxiliando no que for necessário”, concluiu.

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