Crise da Ucrânia

Esforços diplomáticos indicam 'possibilidades reais' de desescalada da crise na Ucrânia

Apesar disso, Washington disse que os russos parecem enviar mais forças para as fronteiras

O presidente francês, Emmanuel Macron, reúne-se nesta segunda-feira (7) com o colega russo, Vladimir PutinO presidente francês, Emmanuel Macron, reúne-se nesta segunda-feira (7) com o colega russo, Vladimir Putin - Foto: Sputnik / AFP

A esperança de evitar uma guerra na Ucrânia aumentou nesta quarta-feira (9) após os esforços diplomáticos dos últimos dias, que criaram "possibilidades reais" de uma desescalada da crise entre Kiev e Moscou, segundo as autoridades ucranianas, e deram "sinais positivos", segundo o Kremlin.

"Hoje há possibilidades reais de um acordo diplomático", declarou o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, para quem a situação está "tensa, mas controlada".

As ameaças de sanções "sem precedentes" no caso de um ataque por parte da Rússia, assim como o diálogo intenso dos últimos dias, poderiam afastar o fantasma da guerra na Europa, segundo o governo ucraniano.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, também elogiou nesta quarta-feira o "progresso" realizado após os inúmeros diálogos diplomáticos entre a Rússia e os países ocidentais. "A missão é garantir a segurança na Europa e acredito que conseguiremos", acrescentou.

A França também comemorou que a viagem do presidente francês, Emmanuel Macron, a Moscou, Kiev e Berlim tenha alcançado seu "objetivo" e permitisse "avançar" para diminuir a tensão, avaliou nesta quarta a Presidência francesa.

Apesar disso, Washington disse que os russos parecem enviar mais forças para as fronteiras.

"Continuamos observando, inclusive nas últimas 24 horas, capacidades suplementares saindo de outras regiões da Rússia para a fronteira com Ucrânia e Belarus", disse o porta-voz do Pentágono durante uma coletiva de imprensa.

"Sinais positivos"

Moscou envia mensagens trocadas. "Houve sinais positivos de que uma solução para a Ucrânia poderia se basear apenas no cumprimento dos acordos de Minsk", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em referência aos acordos assinados em 2015, depois que a Rússia anexou a Crimeia.

Peskov observou, porém, que não houve uma indicação por parte do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, de que está disposto a resolver a questão "rapidamente".

Após ter se reunido com Vladimir Putin no Kremlin, Emmanuel Macron afirmou que o presidente russo prometeu-lhe que ele "não seria a causa da escalada".

Nesta quarta-feira, o chefe de Estado francês informou por telefone ao presidente americano, Joe Biden, sobre suas "reuniões recentes" com seus colegas russo e ucraniano, anunciou a Casa Branca em um comunicado.

"Também abordaram as gestões diplomáticas em curso e os esforços de dissuasão empreendidos em estreita colaboração com nossos aliados e sócios em resposta à contínua concentração militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia", acrescentou.

Implicação da Alemanha

A Rússia, que teve a visita de Macron na segunda-feira, se prepara para receber por dois dias a chefe da diplomacia britânica, Liz Truss. E o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, viaja para a Polônia, aonde tem previsto enviar mais soldados.

Neste cenário, Scholz está cada vez mais envolvido, como forma de responder às críticas das últimas semanas por sua discrição e suposta complacência com Moscou.

Depois de receber a chefe de Governo da Dinamarca, Mette Frederiksen, na tarde desta quarta-feira, o chanceler alemão se reunirá na quinta-feira com os líderes dos países bálticos, vizinhos da Rússia.

Apesar do anúncio do envio de 350 soldados alemães adicionais à Lituânia como parte de uma missão da Otan, a relutância de Berlim a permitir que a Estônia entregue armas alemãs a Kiev criou divergências nas últimas semanas.

Após sua visita Washington na segunda-feira para tranquilizar o governo americano sobre a confiabilidade da Alemanha, e depois da reunião em Berlim na terça-feira com os presidentes da França e da Polônia, Scholz caminha na corda bamba entre as expectativas de seus sócios ocidentais e a dependência da Alemanha do gás russo.

Nível "preocupante" de gás

O nível das reservas de gás na Alemanha caiu para um nível preocupante, abaixo do limite crítico de 40%, anunciou o governo nesta quarta.

O ponto culminante desta atividade diplomática é a aguardada visita que Scholz fará a Putin em 15 de fevereiro, a primeira desde sua eleição para a chancelaria, no começo de dezembro.

A sombra do gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha e ainda depende de certificação, continua a pairar sobre as relações entre os dois países.

O chanceler alemão afirmou a um grupo de senadores americanos que o gasoduto não seguiria adiante se a Rússia invadir a Ucrânia, afirmou o líder republicano no Senado, Mitch McConnell.

No entanto, permanece a dúvida sobre as verdadeiras intenções de Putin, que na segunda-feira não disse nada sobre as tropas russas concentradas na fronteira com a Ucrânia.

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