[Especial] Você conhece os hinos dos blocos do Carnaval de Pernambuco?

O Portal FolhaPE reuniu as histórias, os hinos e as curiosidades de cinco dos blocos mais tradicionais do Estado

Estandarte do Pitombeira dos Quatro CantosEstandarte do Pitombeira dos Quatro Cantos - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

O Carnaval de Pernambuco é reconhecido mundialmente por seus encantos, cores e alegria que divertem milhões de foliões, pernambucanos e estrangeiros. São centenas de agremiações onde todo mundo pode brincar, das prévias e ensaios aos dias de festa. Os versos mais populares dos hinos são de execução certa nos quatro cantos do Estado. Que tal conhecer um pouco sobre a história e aprender as letras dos hinos?

Confira as histórias, os hinos e as curiosidades de cinco dos blocos mais tradicionais do Carnaval de Pernambuco: Galo da Madrugada, Bloco da Saudade, Ceroula, Pitombeira dos Quatro Cantos e Elefante de Olinda.

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Galo da Madrugada: o maior bloco do mundo no maior Carnaval do mundo
Fundado em 23 de janeiro de 1978, o Clube das Máscaras Galo da Madrugada foi criado com o objetivo de reavivar o tradicional e espontâneo Carnaval de rua do Recife. O Galo chega à marca de quatro décadas consolidado como o maior bloco de rua do mundo, feito ratificado pelo Guinness Book, o livro dos recordes mundiais, em 1995.

Dos cerca de 75 foliões vestidos de "almas penadas" e orquestra com 22 músicos desfilando com confetes e serpentinas no Bairro de José aos quase 2 milhões que enchem as ruas e pontes do Recife todo Sábado de Zé Pereira, o bloco virou símbolo da maior festa popular de Pernambuco. Tanto que a Prefeitura da Cidade instala, todos os anos, um imponente Galo gigante sobre a ponte Duarte Coelho, no Centro da Cidade. O hino do bloco tem alguns dos versos dos mais entoados da folia, que comprovam: Carnaval começa no Galo da Madrugada.

Este ano, o Galo traz como homenageado o repórter da TV Globo Francisco José, que, no dia 4 de fevereiro de 1978 gravava uma reportagem com uma carnavalesca no Bairro de São José e, através dela, descobriu a criação de um novo bloco na região. O 40º desfile do Galo da Madrugada será em 10 de fevereiro, sábado de Carnaval, a partir das 9h, no Bairro de São José, na área central do Recife.

Hino do Galo da Madrugada | Letra: José Mário Chaves




Ei pessoal, vem moçada
Carnaval começa no Galo da Madrugada (bis)

A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal...

As donzelas estão dormindo
As flores recebendo o orvalho matinal
E o Galo da Madrugada
Já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal...

O Galo também é de briga, as esporas afiadas
E a crista é coral
E o Galo da Madrugada, já está na rua
Saudando o Carnaval
Ei pessoal...


Estandarte do Bloco da Saudade

Estandarte do Bloco da Saudade - Crédito: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco


Bloco da Saudade: a proposta de reviver os antigos carnavais líricos do Recife
O Bloco da Saudade, um dos mais tradicionais e conhecidos blocos do Carnaval de Pernambuco, traz como tema "Olinda cidade eterna", em homenagem à cidade-patrimônio neste ano de 2018. Por isso, o bloco terá uma saída especial do Alto da Sé no domingo de Carnaval, 10 de fevereiro, às 16h30.

Em 1962, o compositor Edgard Moraes compôs a marcha Valores do Passado, que carrega em sua letra referências a 24 blocos líricos pernambucanos já extintos. Nesta música, o cantor idealizava o que viria a ser o Bloco da Saudade, uma agremiação que tomaria as ruas do Recife para reviver os inesquecíveis carnavais de outros tempos.

Em 1973, amantes da folia, liderados por Antônio José Madureira, o "Zoca", e Marcelo Varela apostaram com Edgard Moraes e afirmaram que levariam às ruas da capital pernambucana um bloco para rememorar os antigos carnavais com Valores do Passado como hino. Um ano depois, em 1974, o grupo cumpriu a promessa e colocou o Bloco da Saudade nas ruas.

Até hoje, ao som de marchas de bloco antigas e atuais e do marcante hino cantados pelo coral feminino e orquestra de pau e corda, o Bloco da Saudade carrega as cores e nostalgia do Carnaval pernambucano.

Além da saída especial em Olinda, o Bloco da Saudade desfila em 12 e 13 de fevereiro, a partir das 16h, com saídas do Bairro do Recife, na área central da capital.

Hino do Bloco da Saudade | Letra: Edgard Moraes



Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes
Camponeses, Apôis Fum e o Bloco Um Dia Só
Os Corações Futuristas, Bobos em Folia
Pirilampos de Tejipió
A Flor da Magnólia
Lira do Charmion, Sem Rival
Jacarandá, a Madeira da Fé
Crisântemos Se Tem Bote e
Um Dia de Carnaval

Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé
Os Queridos Batutas da Boa Vista
E os Turunas de São José
Príncipe dos Príncipes brilhou
Lira da Noite também vibrou
E o Bloco da Saudade, assim recorda tudo que passou

Estandarte do Ceroula de Olinda

Estandarte do Ceroula de Olinda - Crédito: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Ceroula de Olinda: astronautas na letra
 

A Troça Carnavalesca Ceroula de Olinda foi fundada em 5 de janeiro de 1962 por um grupo de seis foliões e tem em seu hino alguns dos versos mais curiosos do Carnaval de Pernambuco. "Eu vou este ano à Lua / Não é privilégio, Foguete já tem / Eu quero ver se o carnaval de rua / Collin, Aldrin e Armstrong falam que vai bem" é uma referência criada pelo compositor cearense Milton Bezerra de Alencar para lembrar o ano em que o homem foi à Lua pela primeira vez, em 1969, ano em que o hino foi escrito.

Do ano de fundação até 1986, apenas homens podiam desfilar no bloco. Só em 1987 a diretoria autorizou a participação de mulheres. O kit vendido pela organização do bloco inclui a camisa e um chapéu de palha nas cores verde e branca, característicos do Ceroula.

Em 2018, o bloco terá dois desfiles. O primeiro acontecerá no sábado de Carnaval, 10 de fevereiro, a partir das 12h no Clube Atlântico de Olinda, localizado no bairro do Carmo. Na terça-feira, 13 de fevereiro, o bloco inicia o desfile nas ladeiras a partir do estacionamento do Colégio de São Bento.

Hino do Ceroula | Letra: Milton Bezerra de Alencar



Eu vou este ano à Lua
Não é privilégio, Foguete já tem
Eu quero ver se o carnaval de rua
Collin, Aldrin e Armstrong falam que vai bem

Eu quero ver se tem troça que escolha
Como em Olinda que tem a Ceroula
Mas se tiver para mim é legal
Passarei lá na Lua todo o Carnaval
Mas se tiver para mim é legal
Passarei lá na Lua todo o Carnaval

Estandarte do Pitombeira dos Quatro Cantos

Estandarte do Pitombeira dos Quatro Cantos - Crédito: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco


Pitombeira do Quatro Cantos: preservação do frevo pernambucano
Em 17 de fevereiro de 1947, um grupo de rapazes desfilando com os dorsos nus e galhos de pitomba pelas ladeiras de Olinda deram origem à Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos. Três anos depois, os foliões passaram a se fantasiar de acordo com o tema e com elementos da cultura popular do Carnaval de Pernambuco. Há 71 anos, a Pitombeira preserva o frevo característico da folia do Estado.

A letra do hino é de autoria do compositor Alex Caldas. "Se a turma não saísse não havia carnaval" é desde então um dos versos mais populares do Carnaval pernambucano. A pitomba, pequeno fruto da pitombeira que nomeia o bloco, é típico das regiões da Mata Atlântica e da Amazônia e tem um sabor levemente ácido e doce.

Em 2018, as saídas do bloco acontecerão nos dias 12 e 14 de fevereiro, a partir das 10h. O desfile começa na sede da Pitombeira, localizada na rua 27 de Janeiro, nº 128, no bairro do Carmo.

Hino da Pitombeira dos Quatro Cantos | Letra: Alex Caldas




Nós somos da pitombeira
Não brincamos muito mal
Se a turma não saísse
Não havia carnaval (bis)

Bate-bate com doce eu também quero
Eu também quero, Eu também
Bate-bate com doce eu também quero
Eu também quero, Eu também

Pitombeira só tem dez letras
E uma significação
Pitombeira é fruta besta
se compra com qualquer tostão (bis)

Estandarte do Elefante de Olinda

Estandarte do Elefante de Olinda - Crédito: Gustavo Glória/Folha de Pernambuco

Elefante de Olinda: da brincadeira à tradição
Em 12 de fevereiro de 1952, durante o Carnaval de Olinda, sete foliões entraram na casa de dona Linda, na rua do Bonfim, no bairro do Carmo, pegaram um elefante que decorava a sala e saíram às ruas gritando "Elefante! Elefante! Elefante!". No ano seguinte, o Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda desfilou nas ladeiras com um estandarte de papelão e vestidos com pano de estopa.

Da brincadeira com o enfeite, surgiu o bloco que é conhecido pelo seu hino e luxo das suas fantasias. Os clarins de momo ao som de "Olinda, quero cantar / A ti, esta canção / Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar / Faz vibrar meu coração / De amor a sonhar, minha Olinda sem igual / Salve o teu carnaval" acompanhados de empolgados foliões cantando os versos são figura carimbada do Carnaval pernambucano há 66 anos.

A proposta do Carnaval 2018 do Elefante de Olinda é relembrar as saídas do bloco na década de 1960 com o tema "Revivendo antigos carnavais". Com fantasias e alegorias que remetem aos carnavais dos primeiros anos do bloco, o desfile oficial do clube acontecerá no domingo de Carnaval, 11 de fevereiro, a partir das 17h. A saída será no Largo do Amparo, no bairro de mesmo nome. 

Hino do Elefante de Olinda | Letra: Clídio Nigro




Ao som dos clarins de momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando as suas tradições
E também seu esplendor

Olinda, este meu canto
Foi inspirado em teu louvor
Entre confetes, serpentinas, venho te oferecer
Com alegria o meu amor

Olinda, quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar, minha Olinda sem igual

Salve o teu carnaval

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