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Esqueleto de pterossauro aguarda conclusão de processo e pode ser devolvido ao Brasil

Justiça da França já autorizou repatriação de 45 outros fósseis de animais exportados ilegalmente. Decisão sobre o pterossauro deve ser tomada em breve

Esqueleto de pterossauroEsqueleto de pterossauro - Foto: Reprodução

 

Ação judicial de 5 anos para recuperar um esqueleto quase completo de pterossauro e mais 45 fósseis de animais nativos da Bacia do Araripe, que abrange Pernambuco, Ceará e Piauí, terá fim este mês. Os fósseis foram retirados ilegalmente do Brasil e serão repatriados após decisão de um juiz de Grande Instância de Lyon, na França, no dia 13 de maio deste ano. O próximo passo é decidir o destino do esqueleto de pterossauro (Anhanguera santanae), que aguarda conclusão do processo.
O julgamento segue no desenrolar de uma investigação conduzida por autoridades brasileiras e francesas após uma denúncia feita pela bióloga da Universidade Federal do Espírito Santo, Taissa Rodrigues. Em 2014, chegou até ela que a companhia francesa Geofossiles havia anunciado na empresa de comércio eletrônico eBay um pterossauro de 100 milhões de anos medindo 4 metros. Na época, o espécime era avaliado em aproximadamente 1 milhão de reais e os demais animais em 1,5 milhões de reais.

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De acordo com a bióloga, vários fósseis brasileiros foram vendidos ilegamente para coleções científicas e museus de todo mundo nas décadas de 1980 e 1990. “Todos os fósseis encontrados no país pertencem à União. Está na constituição. É ilegal vender fósseis brasileiros, embora seja comum,” afirma. No Brasil, fósseis podem ser inseridos em dois tipos de patrimônio: natural e cultural. Ela explica que, a partir do momento em que eles saem do país, parte da história é perdida. “Especialmente na área do Araripe, onde encontram-se alguns dos maiores depósitos de fósseis do Brasil. As pessoas são acostumadas a conviver com eles, faz parte da cultura da região.”
Em caso de venda, ela acredita que a pior das hipóteses é o fóssil ir para uma coleção particular, mesmo que seja disponibilizado acesso para pesquisadores. “Quando a gente faz um trabalho científico, é importante que ele seja replicável. Que outros cientistas possam construir suas próprias interpretações.” Tirando o material do seu ambiente, especialmente levando para fora do país, gera “uma perda muito grande para a ciência.”
Em entrevista para a revista científica Nature, um porta-voz da Geofossiles disse que a companhia concordou em vender o pterossauro após a empresa Eldonia, uma empresa em Gannat, na França, que possuía todos os 46 fósseis, “garantiu a nós que o espécime era legal”. A Geofossiles não faz parte dos processos judiciais e o porta-voz afirma também que a empresa não teria organizado o leilão se soubesse que a lei brasileira proibia a venda do fóssil.

 

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