'Essa dor não sai nunca', diz mãe de vítima de deslizamento de barreira no Recife

Dona de casa Alexsandra de França Silva perdeu o filho, a nora e o neto na tragédia

Alexsandra de França Silva, mãe de vítima de deslizamento em Dois UnidosAlexsandra de França Silva, mãe de vítima de deslizamento em Dois Unidos - Foto: Arthur Mota/ Folha de Pernambuco

"Essa dor não sai nunca. Eu lutei tanto para ter meu bebê, tenho problema de saúde e lutei para ter meus dois filhos e agora perdi um deles nessa tragédia", disse a dona de casa Alexsandra de França Silva, mãe de Emanuel Henrique de França, de 25 anos, uma das vítimas do deslizamento de barreira que matou sete e feriu três em Dois Unidos, na Zona Norte do Recife.

Além do filho, ela perdeu a nora, Érica Virgínia, 19, e o neto, Érick Junior, um bebê de 2 meses. Todos dormiam em uma das duas casas atingidas pela barreira.

O desastre ocorreu nesta terça-feira (24), véspera de Natal. No dia seguinte à tragédia, familiares tentam lidar com a dor da perda. Funcionários da Defesa Civil passaram o dia no local recolhendo os escombros. "Estou sem dormir desde o dia do acontecimento. Não sei o que é sono. Estou à base de remédios. Para encontrar forças estou pensando na minha filha e na minha mãe que sobreviveu", disse a dona de casa.

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Ela se refere a aposentada Jacira Maria de França Silva, 66. Ela estava em uma das casas atingidas pelo deslizamento e por pouco não foi atingida. "Eu acordei no momento do barulho. Quando abri a porta do meu quarto e cheguei na cozinha estava o desmantelo. A porta do quarto do meu neto estava fechada. Eu pensei que não tinha atingido ele, então comecei a bater e gritar por ele. Mas acho que eles já estavam mortos. Aí eu saí do lado de fora pedindo socorro. Quando retomei a consciência já estava na casa da minha filha", lembra.

A idosa afirma que a data nunca será esquecida. "Estávamos todos esperando para fazer uma festa hoje, mas infelizmente não deu. O Natal não existiu, acabou logo no começo", disse. Na casa vizinha, estavam Lucimar Alves, de 50 anos; a neta dela, Daffyne Kauane Alves, de 9 anos e um casal de amigas da família, Claudia Bezerra, de 47 anos, e de Lia de Oliveira, de 45 anos. Todas morreram na tragédia. Também estavam no local três sobreviventes: o casal Luiz Tadeu Costa, de 56 anos, e Cristina Gomes da Silva, de 43 anos, e Otoniel Simião da Silva, de 57 anos, marido de Lucimar e primo de Emanuel.

Causas
Segundo moradores, a barreira deslizou e atingiu o mesmo local há cerca de dez anos, mas não deixou feridos. Em coletiva de imprensa realizada no dia do deslizamento a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, informou que a expectativa para conclusão dos laudos do acidente é de 15 dias. Além de investigações visuais, peritos realizam ensaios e análises geotécnicas e hidráulica do funcionamento das adutoras e tubulações que passam pela localidade. A polícia também abriu inquérito para apurar o caso.

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