Estado recebe parecer favorável para desmatar 45 hectares de Caatinga

Supressão será para a construção da barragem de São Bento do Una, no município de mesmo nome, no Agreste pernambucano

Governo já conseguiu  autorização para  suprimir 54 ha de mata nativa para construir a  barragem de IngazeiraGoverno já conseguiu autorização para suprimir 54 ha de mata nativa para construir a barragem de Ingazeira - Foto: Bruno Lopes / Cortesia

Dois meses após o Poder Executivo solicitar à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), por meio de projeto de lei, o desmatamento de 45,35 hectares de Caatinga, em Área de Preservação Permanente (APP), para a construção da barragem de São Bento do Una, no município de mesmo nome, no Agreste, o pedido recebeu parecer favorável das comissões da Casa Legislativa. A autorização foi publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (24) e já pode ser executada. A vegetação a ser suprimida é composta de vegetação nativa do bioma, além de espécies exóticas, ou seja, não originais da Caatinga.

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Na época em que o pedido foi enviado à Alepe, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, destacou entre as considerações que a supressão será "devidamente compensada, com a preservação ou recuperação de ecossistema semelhante", isto é, de preservação permanente. Embora o desmatamento da Caatinga seja para a implantação de uma obra hídrica de interesse público, conforme o governador justificou na proposta, essa realidade contribui para o aumento da vulnerabilidade dos rios pernambucanos.

Um levantamento inédito do Centro de pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), divulgado pela Folha, revelou que 66,5% das APPs dos municípios do Estado cortados por rios não possuem cobertura florestal nativa. Na natureza, a floresta ciliar (situada às margens de corpos hídricos) serve de barreira natural por conter o processo de assoreamento, evitando enchentes.

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