Estados do Nordeste protocolam denúncia sobre vazamento de petróleo no litoral

Satélite começou a ser usado para identificar responsáveis e origem das manchas do produto que atingem praias de oito dos nove Estados nordestinos desde o final de agosto

Litoral pernambucano também foi afetado Litoral pernambucano também foi afetado  - Foto: Adema/Governo de Sergipe

Os oito Estados do Nordeste atingidos por manchas de petróleo em seus litorais vão protocolar uma denúncia sobre o caso na Polícia Federal (PF) e no Ministério Público Federal (MPF). Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), aumentou para 114 o número de localidades afetadas. Até agora a Bahia foi o único Estado da região que não foi afetado.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (1º) após reunião realizada no Recife para discutir estratégias para diminuir os impactos. Os responsáveis pelo problema podem pagar uma multa que vai de R$ 5 milhões a R$ 50 milhões pelo crime ambiental, que é considerado gravíssimo. O cálculo leva em conta o impacto causado pelo incidente.

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Um satélite começou a ser utilizado para ajudar na identificação dos responsáveis e analisar a origem das manchas de petróleo que atingem praias de oito dos nove Estados do Nordeste desde o final de agosto. "A partir de mapas e imagens retroativas, vamos levantar o padrão de circulação das correntes oceânicas e do vento, para cruzar com informações coletadas entre 25 de agosto e 30 de setembro", disse o professor do departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcus Silva.

Contudo, uma investigação inicial aponta que o material encontrado em quatro estados tem a mesma origem, mas ainda não é possível afirmar de onde viria. O produto achado nos outros quatro seguem sob investigação. Uma das poucas certezas é que se trata de petróleo cru produzido fora no Brasil, segundo a Petrobras.

De acordo com o capitão dos portos de Pernambuco, Maurício Bravo, foram colhidas 44 amostras e 20 foram analisadas. Ele informou ainda que a Marinha está fazendo o levantamento de todos os navios que navegaram pela região do derramamento de petróleo. "Vamos fazer uma análise comparativa entre o material encontrado nas praias e o que se encontra nos tanques dos navios", disse o capitão.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, o derramamento deve ter sido feito por um navio em alto mar, mas duas possibilidades estão sendo levadas em consideração. "Pode ter sido uma lavagem de lastro de navio ou um acidente. De todo modo, é um crime, porque, mesmo se não foi intencional, as autoridades não foram notificadas", disse.

Limpeza
Segundo o Ibama, 12 animais sujos com o petróleo foram achados na área afetada, sendo 11 tartarugas e uma ave. Quatro tartarugas foram achadas vivas, mas duas delas morreram em seguida. Os demais bichos foram encontrados mortos. Sob a coordenação do Instituto, 100 técnicos trabalham na limpeza do material. Em Pernambuco e na Paraíba já há mais registros de novos aparecimentos do produto.

"O trabalho principal, agora, é em colchões rochosos, porque o petróleo entra nos furos das rochas e sai mais dificilmente. Na areia é mais fácil retirar o material. Não se trata de óleo, porque esse é refinado, enquanto o petróleo é cru", disse a coordenadora do Instituto em Pernambuco, Lisânia Pedrosa.

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