Covid-19

'Estamos em um momento muito crítico e pode piorar', diz pesquisador pernambucano

Jones Albuquerque, do IRRD, diz que o Brasil vive o momento de maior risco desde o início da pandemia

Recife, primeiro epicentro da Covid-19 em Pernambuco, vive novo momento delicadoRecife, primeiro epicentro da Covid-19 em Pernambuco, vive novo momento delicado - Foto: Arthur de Souza

Pernambuco, que nos meses de setembro e outubro de 2020 viu cair os índices de novos casos e mortes pela Covid-19 após meses de imensa dificuldade, assiste, desde o final de novembro, a uma escalada expressiva da doença. 

O coronavírus, que nunca deixou de circular, agradece o relaxamento e a falta de senso de alguns e se espalha confortavelmente. O que não está nada confortável é a situação do sistema de saúde, que, a cada dia, se mostra mais tensionado.

O Estado, que chegou a reduzir os casos ativos (pessoas com a doença em curso) para a casa dos nove mil, há cerca de dois meses, tem, no momento, quase 26 mil pacientes oficialmente diagnosticados e notificados como portadores da Covid-19, entre casos graves e leves. 

Na primeira semana de 2021, segundo o secretário de Saúde do Estado, André Longo, houve aumento nas solicitações por leitos, sendo crescimento de 5% em relação às UTIs e 14% nas enfermarias.

Nos últimos cinco dias, foram abertos 21 novos leitos de UTI na Rede Pública de Saúde de Pernambuco. A ocupação do dia 10 de janeiro, com 952 leitos, no entanto, é a mesma da desta sexta-feira (15), que conta com 973 vagas: 84%. 

De acordo com o professor e pesquisador Jones Albuquerque, do Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco (IRRD), se não houver uma mudança no comportamento social ou a implantação de medidas mais rígidas por parte do poder público, a abertura de novos leitos hospitalares pode não ser suficiente para abrigar àqueles que necessitarem de maior suporte. 

“Temos capacidade de expansão ainda, mas, considerando o máximo e mais os leitos campanha que conseguimos abrir no passado (alguns dos quais desativados), entre umas duas a quatro semanas podemos colapsar. Mas isso depende de como a população reage aos alertas, do comportamento de cada um”, disse ele. 

Através dos dados do IRRD, que trabalha com gráficos de cenário atual e projeções desde o início da pandemia da Covid-19, Jones Albuquerque atesta que o Brasil vive o pior momento em termos de risco de contágio desde a detecção dos primeiros casos de infecção pelo coronavírus em território nacional, em fevereiro de 2020. E que Pernambuco segue esse ritmo. 

"Estamos em um momento muito crítico. Pode piorar? Não queria dizer isso, mas pode. E muito”, frisou ele, que não concorda com o modelo de avaliação de cenário a partir do número de internações em leitos de terapia intensiva. 

Desde o anúncio do Plano de Convivência das Atividades Econômicas com a Covid-19 em Pernambuco, ele destaca que fazer avaliações a partir da demanda de pacientes graves é estar um passo atrás do vírus, uma vez que a parcela de pessoas que precisa de UTI é a menor entre o total de infectados. E, uma vez que esse número se eleva expressivamente, como acontece no momento, significa que o vírus tem circulação descontrolada.

Para o pesquisador e professor, um novo lockdown em Pernambuco seria fundamental, embora a função, no momento, não fosse mais evitar o alastramento do vírus. Na visão dele, essa medida deveria ter sido tomada ainda no final de outubro, quando os casos voltaram a apresentar tendência de aumento. 

“Já estaríamos fora (do risco) e, agora, controlaríamos os surtos. Agora é tentar remediar, freando a infecção, evitando as aglomerações para não aumentar ainda mais a carga viral na população”, observou. 

Entre os municípios mais comprometidos no momento em Pernambuco, se destacam Jaboatão dos Guararapes, Recife e Paulista, na Região Metropolitana (RMR), além de Petrolina, no Sertão, e Caruaru e Garanhuns, no Agreste. 

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