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Estilo enfraquecido e perdido de Teich agrada a Bolsonaro

Nesta quarta (13), Teich preparava o anúncio de diretrizes sobre o isolamento para estados e cidades, cobrança já feita por Bolsonaro a Mandetta

Ex-ministro da Saúde Nelson TeichEx-ministro da Saúde Nelson Teich - Foto: José Dias/PR

Na contramão do que se espera de um ministro da Saúde em uma pandemia, não pegou mal para o governo a imagem de perdido de Nelson Teich durante uma entrevista sobre a Covid-19.

Em cena explorada em memes, na segunda-feira (11), o titular da pasta foi informado pela imprensa de decisão do presidente Jair Bolsonaro de aumentar a lista de atividades essenciais com salões de beleza, academias e barbearias. 

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De acordo com assessores palacianos, Bolsonaro prefere ministro que vira meme nas redes sociais do que um que quebra hierarquia e o enfrenta, como o antecessor Luiz Henrique Mandetta, demitido em 16 de abril.

Por isso, a atuação do novo ministro à frente da Saúde, perdido e desnorteado, tem sido vista de forma positiva por auxiliares do presidente.

Mandetta não poupava críticas a ações de Bolsonaro, e seu protagonismo incomodava o governo. Teich, por sua vez, tem evitado se posicionar de forma taxativa sobre temas controversos.

Ainda assim, suas declarações no início desta semana levaram a uma campanha entre bolsonaristas nas redes sociais para seu afastamento.

No fim de abril, o ministro disse que o resultado de novos estudos apontam que o uso do medicamento não deve ser um "divisor de águas" no tratamento de casos da nova doença. "Cloroquina hoje ainda é uma incerteza. Houve estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário", afirmou.

Já na terça-feira (12), o ministro escreveu em sua conta do Twitter que o remédio apresenta efeitos colaterais. "Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o 'Termo de Consentimento' antes de iniciar o uso da cloroquina", escreveu.

Nesta quarta (13), ao sair do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse ainda que vai conversar com Teich sobre a possibilidade de alteração no protocolo.

Embora a pasta recomende a aplicação do medicamento só para casos graves, o presidente quer que ele seja usado desde o estágio inicial da doença.

Em outras frentes, o estilo perdido e a falta de habilidade política incomodam outros gestores da área da saúde.

Os problemas começaram logo na posse, quando membros de conselhos que representam secretários estaduais e municipais de saúde foram apenas informados do evento, sem que fossem convidados para a cerimônia.

Em seguida, Teich passou mais de dez dias sem nenhuma reunião com o grupo, que responde conjuntamente por decisões do SUS. Os primeiros encontros também foram descritos como desastrosos. O ministro não sabia dar informações sobre ações que seriam básicas para a gestão da crise, como a compra de equipamentos de assistência.

Para um secretário estadual de saúde ouvido pela reportagem, o ministro tem atitudes próximas a de um consultor, que ouve e diz que analisará demandas para solucionar a crise.

A disposição para ouvir, por outro lado, tem sido bem avaliada por congressistas da área da saúde, que se queixavam de serem alijados em parte das decisões da última gestão.

O grupo diz que vê nas recentes viagens do ministro a regiões afetadas, como Amazonas e Rio de Janeiro, uma forma de tentar mostrar que "arregaça as mangas" e quer estar próximo dos estados.

Nesta quarta (13), Teich preparava o anúncio de diretrizes sobre o isolamento para estados e cidades, cobrança já feita por Bolsonaro a Mandetta.

A ideia de Teich, porém, foi frustrada por causa de um embate com os conselhos que reúnem os gestores de estados e municípios. Uma entrevista prevista para a tarde de quarta foi cancelada de última hora.

Em reunião nesta quarta com o ministro, o grupo disse que a medida seria inoportuna e defendeu a derrubada da proposta. "Deixamos claro que apenas discutiremos este tema quando tivermos evidências de que o número de casos e óbitos comece a diminuir", afirmou o presidente do Conass, conselho que reúne secretários estaduais de saúde, Alberto Beltrame.

Em nota, o ministério admite que não houve consenso, mas afirma que a discussão será aprofundada. Representantes dos estados e municípios, no entanto, dizem ver pouca chance de que isso ocorra no momento.

Uma versão inicial da diretriz havia sido apresentada por Teich na segunda-feira (11). "O plano indicava diferentes pontuações para definir quando estados e municípios deveriam afrouxar ou não as regras. Na ocasião, o ministro disse que os detalhes seriam divulgados nesta quarta, o que acabou não ocorrendo.

No resumo apresentado na segunda, o plano apresentava cinco níveis de restrições e distanciamento para os entes subnacionais com base em classificação que levava em conta a estrutura da rede de saúde e a velocidade de transmissão do novo coronavírus.

O esboço apresentou uma espécie de pontuação, medida conforme as respostas a um questionário que envolvia a análise de quatro eixos: capacidade instalada de leitos, indicadores epidemiológicos (como volume de internações e óbitos), velocidade de crescimento de casos e índices de mobilidade urbana. 

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