Estudantes de Itapissuma desenvolvem habilidades na prática, filmando documentários reais

Projeto premiado de cinema desenvolve diversas habilidades nos estudantes de escola estadual em Itapissuma

Escola recebeu materiais de produção de filmesEscola recebeu materiais de produção de filmes - Foto: Marlon Diego/Divulgação

A professora de sociologia Kelly Costa decidiu usar seus intervalos durante as aulas na escola estadual Eurídice Cadaval para realizar um projeto que transformou estudantes em cineastas premiados nacionalmente. O projeto, iniciado em 2008, ainda está em pleno funcionamento.

Os alunos participam de oficinas e se tornam responsáveis pela realização de um documentário curta-metragem. Fazem tudo, desde o primeiro rascunho de roteiro até a edição de imagens e de sons. Deborah Fidelis, 15, do 2º ano, por exemplo, compôs a letra da música do último filme realizado na escola. No novo filme, ainda no início da produção, ela está trabalhando como roteirista e produtora. “Depois que o roteiro sai, eu acompanho, fico tentando estar presente em todas as partes do processo. A gente se ajuda muito, sempre perguntando opinião, melhorando o que já existe”, contou a estudante.

Deborah sente mudanças nela própria com o trabalho. “Eu me sinto mais responsável, administrando algumas coisas eu tenho que estar à frente. Eu costumava a ficar retraída, mais na minha, sabe? Quando eu entrei no cineclube, vi oportunidades que não poderia deixar passar e comecei a sentir vontade de participar de tudo”, conta. Ela é diretora do instagram do cineclube (@cineclubepedranegra) em que o dia a dia do projeto é contado.

O trabalho em grupo é um dos trunfos do projeto. É o que mais faz os estudantes crescerem. “O trabalho é todo dividido em etapas, e é preciso confiar muito no trabalho do outro. Há a pesquisa inicial, a criação do roteiro, a gravação, a edição. Para se editar bem é preciso que se grave bem. Para gravar bem, a base é um bom roteiro. Além disso ainda tem a composição de trilha, o desenho de storyboard, a fotografia. Isso faz com que eles desenvolvam muito essa capacidade de funcionar em grupo”, conta a professora responsável pelo projeto, Kelly Costa.

Antes de assumir uma função, os alunos passam por oficinas, normalmente oferecidas por ex-alunos que já participaram do projeto. Assim, o cineclube vai se reciclando e formando mais pessoas. “Já ultrapassamos os muros da escola. O nosso projeto tem hoje amplo apoio do município. Os estudantes contam histórias e pessoas da própria comunidade nos documentários. Mas não é só isso. É a certeza de que eles estão realizando um trabalho sério”, avaliou Kelly. O último filme, o 25º, foi apresentado no Mercado Público da cidade com mais de mil espectadores. “Estamos procurando um lugar maior, porque não coube todo mundo na última vez.”

A ideia do filme é dos próprios alunos. Histórias da comunidade os encantam e eles decidem contá-las. No filme “O Vencedor”, por exemplo, a narrativa versa sobre um ex-professor da escola, deficiente visual. Foi o primeiro que realizaram com audiodescrição. “Eles estreitam a relação da escola com o exterior. As pessoas doam materiais. No ano passado conseguiram um estúdio de som profissional para trabalhar. ”
Ragner Marcos participou do projeto em 2012. Antes disso, estava dividido entre o curso de Sistemas de Informação e o de Administração. Mas, enquanto observava ângulos de câmera e possíveis iluminações, decidiu que aquela era a profissão que queria. “Cheguei a me formar e trabalho também em Sistemas, mas minha carreira principal é a de fotógrafo. Hoje, volto à Eurídice para dar oficina para os alunos do projeto. Tudo o que eles precisam conseguimos dar um auxílio, mas ensino mesmo a parte de captação de áudio e de som”, conta Ragner.

Para o fotógrafo, os alunos de hoje são diferentes dos de sete anos atrás. “Eles estão imersos num mundo de lives, de youtubers, de diversas formas de expressão ligadas ao audiovisual. Então, prestam muita atenção nas aulas, porque aquilo faz parte das vidas deles e o que aprenderem poderão usar no cotidiano das redes sociais”, avaliou.

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