Estudo dos EUA fala sobre efeito do remdesivir na Covid-19

Resultados mostram redução no tempo de recuperação de pacientes mais graves, mas pouca mudança na mortalidade

Laboratório Gilead, responsável pelo remdesivirLaboratório Gilead, responsável pelo remdesivir - Foto: Justin Sullivan/Getty Images North America/AF

Um novo estudo clínico mostra que o antiviral remdesivir tem um efeito "claro" no tratamento de casos graves de Covid-19, informou Anthony Fauci, epidemiologista e consultor do presidente Donald Trump, nesta quarta-feira (29).

"Os dados mostram que o remdesivir tem um efeito claro, significativo e positivo na redução do tempo de recuperação" de pacientes com coronavírus, disse Fauci na Casa Branca. Isso prova "que um medicamento pode bloquear esse vírus", acrescentou.

O remdesivir acelera o tempo de recuperação em 31% para pacientes com o novo coronavírus, de acordo com resultados preliminares do estudo clínico patrocinado pelo Instituto de Saúde dos Estados Unidos (NIH) e divulgado nesta quarta-feira.

Comparados aos pacientes que receberam um placebo, os pacientes tratados com remdesivir, do laboratório de Gilead, se curaram em 11 dias (tempo médio) em vez de 15 dias, de acordo com um comunicado de imprensa do NIH.

É a primeira vez que se mostra que um medicamento funciona contra a Covid-19, que já tirou mais de 200 mil vidas em todo o mundo e paralisa a economia global.

O estudo compreendeu 1.063 pacientes, de 47 locais nos Estados Unidos e outros 21 na Europa e Ásia. Trtaa-se do maior teste até o momento sobre a utilidade do remdesivir com os resultados disponíveis.

Em relação aos efeitos sobre a mortalidade, os resultados não são significativos, ou seja, a pequena diferença entre os dois grupos avaliados pode ser aleatória. No entanto, o grupo tratado com remdesivir sofreu uma mortalidade de 8%, contra 11% no grupo placebo, sugerindo que o medicamento aumentaria a chance de sobrevivência.

Notícias diferentes e contraditórias sobre esse antiviral intravenoso foram divulgadas nas últimas semanas. Um resumo dos resultados publicados no site da Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada mostrou que não houve resultados positivos em um estudo menor realizado na China.

Leia também:
Brasil registra 78.162 casos de coronavírus; número de mortes chega a 5.466
Anvisa proíbe venda de Annita, remédio secreto de Pontes, sem receita especial
Remédio reduz carga viral do coronavírus em teste inicial em células


A revista médica britânica The Lancet publicou nesta quarta-feira o documento formal que descreve esse teste. No estudo de 237 pacientes em Wuhan, China, os médicos não encontraram efeitos positivos após a administração do medicamento em comparação com um grupo controle de adultos, exceto os pacientes que necessitaram de ventiladores.

No entanto, o teste chinês teve que ser interrompido cedo, pois não foi possível recrutar pessoas suficientes para atingir seu objetivo inicial e, devido ao seu pequeno tamanho, muitos especialistas consideraram que esse estudo não permitia tirar conclusões confiáveis. Fauci, assessor da Casa Branca, disse que não era um estudo adequado.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

Veja também

Recife começa a vacinar com Pfizer gestantes e puérperas que tomaram AstraZeneca
Vacina contra Covid-19

Recife começa a vacinar com Pfizer gestantes e puérperas que tomaram AstraZeneca

Presidente sanciona lei com prioridades para vacinação
Covid-19

Presidente sanciona lei com prioridades para vacinação